MANAUS – Quando assumiu a gestão das fazendas da família, em 2013, o contabilista Miguel Rech acreditou que seria fácil fazer dinheiro com a recria de gado em Nova Monte Verde, no norte de Mato Grosso, onde o clima da Amazônia cria condições privilegiadas para a atividade. O tempo, contudo, provou que ele estava equivocado.
“Eu pensava que sabia e daí eu vim para cá para tocar o negócio. Comecei primeiro repartindo o pasto e parti logo para a inseminação. Só comprava touros puros-sangues e sêmen dos mais caros possíveis. Mas daí, quando as vacas pariam, nós tínhamos bezerros bonitos e não tinha pasto”, resume o pecuarista.
Sem conseguir fazer vingar os bezerros nascidos na Fazenda Moleana, a família Rech via seu patrimônio encolher a cada ano. “O dinheiro foi acabando, e os meus filhos começaram a reclamar comigo. Eles investiram aqui confiando no pai, e o negócio estava indo para trás”, relata o pecuarista junto a um dos cochos onde hoje oferece suplementação mineral a 227 animais, distribuídos em quase 60 hectares de pastagens rotacionadas.
A taxa de lotação de cinco animais por hectare na safra 2019/2020 – 600% acima da média nacional – foi alcançada somente depois que Miguel reformou pastagens e repensou o modo de criar gado na fazenda, ainda em 2016. No ciclo seguinte, em 2017/2018, sua produtividade saltou de 5 arrobas para quase 40 arrobas por hectare.
“Começamos a olhar onde nós acertamos e onde nós erramos. Analisamos nossa situação financeira e capacidade de investimento e os gargalos que faziam com que nossa propriedade não tivesse resultado”, explica o produtor. A receita foi simples, segundo conta o agrônomo responsável pela reestruturação do negócio em parceria com o Sebrae, Murilo Guimarães.
Com custo inicial de R$ 3.200 por hectare, o investimento em pasto rotacionado gerou uma rentabilidade líquidade 12% ao pecuarista e margens de até R$ 1.900 por hectare. “Não inventamos a roda. Apenas colocamos em prática algo que já é antigo, mas pronto para ser aplicado”, relata o consultor e diretor da Campo S/A.
Há sete anos na região norte do Estado, a empresa presta consultoria para 150 pecuaristas e tem notado uma verdadeira transformação da atividade na Amazônia matogrossense.
“Acho que devo ter pegado exatamente esse final de etapa de uma pecuária extrativista e início de uma pecuária empresarial. Em 2014, a gente chegou e eu não podia falar de adubo, de cerca, porque os produtores reclamavam que tinham de ficar arrumando. Hoje, preciso falar de rentabilidade, taxa de juros e viabilidade econômica”, lembra Guimarães.
*Publicado originalmente na edição 423 da Revista Globo Rural (Fevereiro/2021)


