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    Amazônia

    Hidrelétrica de Balbina em meio à floresta de igapó da Amazônia causa impactos negativos há 35 anos, mostra estudo

    26 de fevereiro de 2021
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    MANAUS  –  Um estudo mostrou que a hidrelétrica de Balbina, em meio à florestas de igapó da Amazônia, causa impactos negativos desde o início da construção, há 35 anos, mesmo a 125 Km rios abaixo da barragem. A pesquisa é liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

    O estudo foi publicado recentemente na revista científica Aquatic Conservation: Marine and Freshwater Ecosystems, tendo o pesquisador Jochen Schöngart como primeiro de um total de 22 autores, pesquisadores de instituições do Brasil, Alemanha, Holanda e Reino Unido.

    @kleiton.renzo

    O G1 entrou em contato com a empresa responsável pela hidrelétrica e aguarda respostas.

    A pesquisa relata que a hidrelétrica de Balbina, no município de Presidente Figueiredo, é considerada um dos maiores desastres socioambientais da Amazônia, com impactos que vão além do reservatório e da barragem.

    Além disso, o estudo traz detalhes das perturbações encontradas no espaço e no tempo na floresta de igapó, desde o início da construção da barragem em 1983. Além disso, alerta para o que pode acontecer em outros pontos dos rios amazônicos, onde há mais de 400 barragens, operando planejadas ou em construção.

    “O reservatório inundou uma área de quase 3.000 km², afogando florestas de igapó e de terra firme. Apenas os planaltos de terra firme em altitudes mais elevadas permaneceram, formando uma paisagem fragmentada de mais de 3.500 ilhas isoladas em um ‘cemitério de milhões de árvores mortas’ conhecidos ‘paliteiros’, e a produção ao longo dos anos de um grande volume de gases de efeito estufa, como o metano”, diz o estudo.

    De acordo com o estudo, a alteração mais danosa é o que pesquisadores estão chamando de “efeito sanduiche”, no qual o “recheio não é nem de longe saboroso”:

    Trata-se da pressão sofrida pelas florestas nas porções mais elevadas e mais baixas resulta na perda de habitats e na diversidade de árvores, com severos impactos nas cadeias tróficas, incluindo a alimentação de peixes, além da perda de importantes serviços ecossistêmicos. A pressão das porções baixas resulta dos elevados níveis mínimos de água durante o período de operação da barragem.

    De acordo com Jochen Schöngart, um dos autores do estudo, que possui graduação e doutorado em ciências florestais, aproximadamente 12% das florestas de igapó já morreram.

    “E outras [florestas] são ameaçadas se o modo operacional de construção das barragens continuar a alterar o regime hidrológico”, afirmou.

    As árvores são espécies que estavam adaptadas ao regime regular e anual de inundação, como a Eschweilera tenufolia (conhecida como cuieira e macacarecuia), mas que após o barramento do rio Uatumã (150 km ao norte de Manaus) tiveram que lidar com inundações quase permanentes, acima da capacidade das espécies de tolerar tanto tempo debaixo d’água.

    Ainda de acordo com o estudo, nas topografias mais altas, as florestas de igapós foram afetadas pela invasão de espécies da terra firme que possivelmente são mais competitivas que as espécies de igapó. Segundo o pesquisador, os distúrbios que causaram o impacto foram gerados durante o enchimento do reservatório (1983-1989) que resultou em condições de extrema seca nos igapós a jusante da barragem.

    “Árvores das florestas alagáveis começaram a morrer por causa da falta de água. Possivelmente incêndios também afetaram os igapós neste período em que as condições secas geradas ainda foram potencializadas por eventos do El Niño (1982/1983 e 1986-1988), que diminuem a precipitação e tendem aumentar a temperatura e a umidade relativa do ar nesta região”, explicou.

    Recomendações

    O artigo traz recomendações concretas para tornar mais brando, os impactos nas áreas alagáveis para as usinas hidrelétricas em fase de operação, construção e planejamento. Para as barragens em operação, os pesquisadores apontam mudanças no modo operacional, de forma que a liberação da água do reservatório simule o regime natural de baixas águas (índice de fluxo de base do período pré-barragem).

    Enquanto para as barragens em construção, deveriam ser evitadas condições de extrema seca nas áreas alagáveis a jusante durante a instalação, pois isso pode resultar em elevada mortalidade de árvores por falta de água ou por incêndios. “Isso é de extrema importância nos períodos atuais em que mudanças climáticas podem potencializar os impactos devido ao aumento de temperatura e de eventos extremos de secas”, afirma Schöngart.

    O estudo também deixa um alerta para a necessidade de políticas públicas eficientes voltadas ao desenvolvimento sustentável da região amazônica: “Precisam avaliar os impactos das barragens planejadas considerando o balanço entre geração de energia e a perda de biodiversidade e serviços ecossistêmicos que afetam as populações indígenas e ribeirinhas tradicionais, em particular, e a sociedade brasileira, em geral”, destacou Schöngart.

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