O período chuvoso na Amazônia tem aumentado o nível de rios e afluentes das cidades e alertado especialistas para acidentes com animais silvestres que vivem nessas regiões. Por conta da temporada de enchentes, a saída de bichos em busca de alimentação e refúgio em meio à subida da água é comum nesta época e é preciso cuidado com os procedimentos corretos na hora do resgate desses seres vivos.
Em entrevista à REVISTA CENARIUM, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e mestrando em Ecologia, Gabriel Salles Masseli, explicou que, devido ao período sazonal de maior pluviosidade, os igarapés transbordam e o reino animal que vive no rio, como jacarés, serpentes, peixes e outros, avançam com a água que aumenta conforme a chuva cai. Os seres vivos que ficam nas áreas ripárias (bordas e áreas próximas de igarapés), como jararacas, iraras, aranhas, acabam fugindo da inundação ou em busca de suas presas que partem para as áreas não inundadas.
“Primeiramente, os procedimentos de contenção e/ou manejo de qualquer animal silvestres devem ser realizados somente por pessoas capacitadas e que possuem autorização. Por exemplo: biólogos e/ou veterinários com autorização de órgãos, polícia ambiental, Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas) Semmas (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade), dentre outros órgãos ambientais”, salientou Gabriel Masseli, especialista em resgate de animais silvestres.

Segundo o pesquisador, o procedimento de contenção em caso de resgate muda conforme o gênero a ser resgatado e as condições que o animal se encontra, variando desde algo mais simples, como conter uma jiboia da espécie Boa constrictor com um gancho e uma caixa de transporte até casos mais complexos que necessitam do auxílio de um veterinário para aplicar medicamentos tranquilizantes com o uso de dardos, por exemplo: uma Suçuarana da espécie Puma concolor em um local urbano.
Salles explica ainda que por conta da variedade na complexidade do atendimento, a instabilidade da ocorrência e a necessidade de conhecimentos sobre história natural e características dos animais, o resgate desses animais não é algo simples e que pode ser feito por qualquer pessoa.
Peçonhentos
No caso de animais peçonhentos, isto é, que contêm veneno – substância capaz de matar –, o primeiro procedimento a ser realizado deve ser o isolamento total, não deixando que pessoas e animais domésticos tenham acesso, além de ligar para a polícia ambiental, o corpo de bombeiro ou o próprio 190. “É importante frisar que em hipótese alguma devem matar não somente as serpentes, mas qualquer animal silvestre, pois isto é crime federal previsto nas leis nº 9.605 E a 5.197”, frisou o pesquisador do Inpa.

Conforme Gabriel Masseli, é de suma importância que fique uma pessoa vigiando o animal de longe para ver se ele se locomove para outro local, com o intuito de avisar o especialista ou agente do órgão competente que vai realizar o resgate. “Em geral, são dois grupos (famílias) de serpentes que são consideradas de interesse médico por serem peçonhentas (possuem glândula de produção de veneno e dentição especializada para inoculação da peçonha), são elas: Família Viperidae (Jararacas, cascavéis e surucucus); Família Elapidae (Corais verdadeiras)”, acentuou.
Entretanto, ressaltou Masseli, existem espécies que se parecem com as serpentes peçonhentas, mas não são, por exemplo, Corallus caninus – cobra papagaio. “Ela não é peçonhenta, mas por ter a cabeça triangular e dentes caninus relativamente grande, confundem com peçonhenta, e muitas que parecem não ser, mas são peçonhentas, como a Micrurus scutiventris – coral verdadeira, é uma coral, mas que possui coloração toda preta, sem anéis e só tem algumas manchas alaranjadas nas escamas ventrais”, explicou.


