(Foto: Montagem / Portal AM1)
MANAUS – Em uma possível reeleição de Jair Bolsonaro (PL), a bancada federal do Amazonas pode auxiliar na criação de uma nova matriz econômica para o estado, deixando que a dependência de empregos na capital seja somente da Zona Franca de Manaus. Apesar do cenário favorável para Bolsonaro quanto à ZFM, economistas amazonenses divergem sobre a posição da nova bancada quanto ao assunto.
Antes das eleições, a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) foi um impasse para a bancada federal do Amazonas e o governo Bolsonaro. A maioria dos parlamentares fez oposição à decisão que afetaria o modelo econõmico, no entanto, com a renovação de 50% da bancada, o cenário pode mudar.
Para a conselheira regional e ex-vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), Denise Kassama, toda a bancada federal do Amazonas, eleita nas eleições de 2022, vai compor uma “importante base de apoio” caso Bolsonaro saia vitorioso no 2º turno. A economista afirmou ao Portal AM1 que não viu os novos parlamentares eleitos defendendo o atual modelo econômico, o que gera uma preocupação a mais.
“Todos que foram eleitos daqui do Amazonas, foram eleitos compondo apoio ao atual presidente da República. Em uma reeleição, eles vão compor uma importante base de apoio para o presidente aprovar as suas políticas públicas no Congresso. Não vi, efetivamente, nenhum desses defendendo a bandeira da Zona Franca, então isso me gera uma certa preocupação em uma eventual reeleição”, disse.
Segundo a economista, Bolsonaro “já demonstrou que não tem muito apreço pela Zona Franca de Manaus”. Ela ainda destacou que a atual bancada federal no Congresso, sob comando do senador Omar Aziz (PSD), lutou para que as propostas de redução do IPI fossem interrompidas, caso contrário, o Amazonas estaria com “sérios problemas”.
“Acredito que o presidente tem um ótimo cenário político considerando essa base de apoio. […] Em uma eventual vitória de Lula, nada impede que os deputados que compõem o Centrão são passíveis de mudar de lado e apoiar quem estiver a frente do executivo federal”, pontuou.
Já o economista Origenes Martins enxerga com bons olhos a nova bancada federal do Amazonas. De acordo com ele, os novos deputados podem trazer mudanças e vantagens para aprimorar a economia do estado, caso Bolsonaro seja escolhido pelo povo para mais quatro anos.

“Mesmo sem a definição do novo presidente, vejo com bons olhos esta nova bancada. Os novos deputados, principalmente se houver a eleição do presidente Bolsonaro, têm bastante tendência de trazer para cá as mudanças e vantagens necessárias para melhorar a economia do Amazonas”, destacou.
Ainda segundo ele, a eleição dos novos parlamentares reforçou a tendência que foi presente em todo o Brasil nas eleições.
“Além de haver uma renovação do quadro, com poucos dos ‘caciques’ conseguindo se manter, observou-se uma forte tendência de escolha de candidatos de direita ou conservadores”, observa.
Novatos em Brasília
Entre os novatos na Câmara Federal, o vereador de Manaus Amom Mandel (Cidadania) frisa que vai trabalhar pelo Amazonas, seja quem for eleito o novo presidente do Brasil. Para a economia, Mandel destacou que o maior objetivo, nesse momento, é influenciar uma mudança na matriz econômica.
“O meu maior objetivo nesse momento, independente das propostas, é tentar influenciar ao máximo uma mudança na matriz econômica do estado, para que a gente reduza a dependência em relação a desoneração fiscal e que a gente possa, também, preservar mais o nosso meio ambiente, talvez desenvolvendo algumas iniciativas de crédito de carbono”, comentou em coletiva de imprensa.
Na opinião do também novato na Câmara, deputado estadual Fausto Jr. (União Brasil), é preciso aumentar a interlocução entre o Amazonas e o governo federal, seja quem for eleito presidente.
Ao Portal AM1, Fausto Jr. ressaltou que o Estado precisa de uma bancada que tenha compromisso de resolver o problema, e que não faça “política de quanto pior, melhor”.
“Infelizmente, vimos que nos últimos 4 anos, uma boa parte da nossa bancada era de oposição do governo federal e não procurou em nenhum momento que fosse resolvido o problema, procurou que o problema tivesse uma narrativa eleitoral e não como uma forma técnica”, disse.
O mais novo deputado federal do Amazonas ainda disse que se coloca à disposição para defender, de forma técnica, a Zona Franca de Manaus. No entanto, ele pontua que criar novas matrizes econômicas devem ser o foco de qualquer parlamentar amazonense em Brasília.
Entre os novos modelos, o deputado defende a exploração mineral. Conforme explicou a reportagem, o Amazonas precisa de matrizes econômicas como essa, desenvolvidas de forma sustentável, gerando assim emprego e impostos.
“O que não dá para aceitar é a impossibilidade de uma atividade feita com licença ambiental e fiscalização, e dando margem e possibilidade de garimpo e desmatamento ilegal. Todas essas atividades têm maneiras e formas de serem feitas de forma sustentável e agredindo menos a natureza”, afirmou.
De fora da bancada
Um dos grandes críticos do decreto do IPI do governo Bolsonaro, o deputado federal Marcelo Ramos (PSD), ficou de fora da nova bancada federal. Ramos foi um dos principais parlamentares na frente a defesa da Zona Franca de Manaus, no entanto, não conseguiu se reeleger.
Em um dos diversos momentos de críticas ao decreto, Ramos chegou a dizer que o presidente Bolsonaro afirma que gosta do Amazonas, mas não exerce isso na prática.
“Tem pai que diz que ama seu filho, mas separa e não paga pensão. Desse amor, o filho tá correndo. Então, é a mesma coisa. O presidente Bolsonaro fala a favor do Amazonas, mas toma reiteradas medidas que na prática são contra os interesses do povo do Amazonas, e essa é apenas mais uma”, afirmou com exclusividade ao Portal AM1 em março deste ano.
Ramos ainda afirmou que a defesa da Zona Franca de Manaus não é uma briga de esquerda e direita, mas sim em defesa da matriz econômica do estado.
“Essa não é uma luta que nos divida entre amazonenses que apoiam e que não apoiam o presidente Bolsonaro, essa é a luta de quem defende os interesses do Amazonas e quem é contra os interesses do Amazonas”, comentou.
O deputado federal Zé Ricardo (PT), por sua vez, tentou fazer com que o ministro da Economia Paulo Guedes esclarecesse sobre os decretos do IPI na Câmara Federal. No entanto, ficou de fora da nova composição da bancada após ser derrotado nas urnas.
Guedes já tinha sido convocado para prestar esclarecimentos na Comissão e não compareceu. Com isso, José Ricardo criou um requerimento, que contou com as assinaturas dos deputados Sidney Leite (PSD) – reeleito nas eleições 2022 – e do deputado Bosco Saraiva (Solidariedade) – não eleito.
“O último decreto piorou a situação, porque tirou o incentivo do setor dos concentrados, também ampliou essa redução do IPI. Portanto, criou mais dificuldades ainda para manter a questão da vantagem comparativa das empresas de Manaus comparado as outras que poderiam se instalar em outros Estados”, argumentou.
O deputado também disse, na época, que Guedes deve explicações ao povo do Amazonas, sendo assim, é necessário esclarecer as medidas sobre a Zona Franca de Manaus.
“Então, é necessário que a gente questione essa política, que afeta a indústria do Brasil, em particular a Zona Franca”, pontuou.
Fonte: Portal AM1


