As multas de quase R$ 57 milhões do Ibama foram contra planos de manejo na cidade de Lábrea, que fica a pouco mais de 700 km da capital Manaus e é uma das com maior índice de desmatamento no estado.
O plano de manejo sustentável funciona como um certificado para que fazendeiros, por exemplo, possam extrair madeira de suas propriedades a partir da comprovação de que a exploração não danificará o meio ambiente.
O esquema de fraudes é semelhante ao visto para esquentar o ouro ilegal. Madeira extraída de locais proibidos é registrada como se tivesse saído de planos de manejo aprovados pelo Ibama.
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O fraudador, então, vende créditos virtuais de madeira —uma das formas de comercialização de madeira no mercado— como se tivessem saído da propriedade regular e não de áreas irregulares.
Por meio de imagens de satélite, no entanto, o órgão identificou que o terreno onde o plano de manejo havia sido aprovado estava pouco explorado.
“As fraudes foram confirmadas por técnicos da Diretoria de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas do Ibama que realizaram vistorias em planos de manejo e constataram que parte do volume de madeira informado no Sinaflor [sistema para registro do material extraído] não havia sido extraído naqueles locais”, afirmou o instituto.
Entenda o caso
O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) aplicou R$ 56,8 milhões em multas ao longo das últimas semanas contra um esquema que fraudava a origem de madeira extraída ilegalmente.
Um total de 106 mil m³ de madeira foram bloqueados —segundo o instituto, o valor estimado desse material é de R$ 3 milhões e seriam necessários 5 mil caminhões para transportar essa quantidade de carga.
As ações fazem parte da operação Metaverso, que vem sendo conduzida pelo Ibama desde janeiro. O foco é no Distrito Federal e nos estados do Acre, Amapá, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Roraima e Tocantins.


