Close Menu
RDA · Redação AmazôniaRDA · Redação Amazônia
    Facebook Instagram
    Facebook Instagram
    RDA · Redação AmazôniaRDA · Redação Amazônia
    • Manaus
    • Amazonas
    • Brasil
    • Amazônia
    • Apoie o RDA
    RDA · Redação AmazôniaRDA · Redação Amazônia
    Home»Amazonas»Visão de PCD na vida diária atual
    Amazonas

    Visão de PCD na vida diária atual

    27 de novembro de 2023
    WhatsApp Facebook Twitter Telegram LinkedIn Email

    “Não basta viver, é preciso viver bem”. Essa foi a frase que li e me guiei no início de minha nova vida como um PCD, pessoa com deficiência física.

    @kleiton.renzo

    Meu nome é José Eduardo Wendling e meu apelido desde pequeno é “Xerife”, que me foi carinhosamente dado pela minha mãe ainda criança.

    Tenho 57 anos e nasci em 06/08/1966 na cidade de Toledo Paraná. Com quatro anos vim para o Amazonas, onde cresci, me formei, casei e estou até hoje e me considero 100% amazonense.

    Sou uma pessoa com deficiência física, paraplégico há mais de 33 anos, me locomovo em cadeira de rodas, em decorrência de um mergulho em águas rasas em abril de 1990, num balneário chamado de Ponte da Bolívia, localizado na barreira das estradas que vão para Itacoatiara e Presidente Figueiredo.

    Quando me acidentei, tinha quase 24 anos, ou seja, estava no início de minha vida, a caminho de ser um adulto, e assim sendo, o acidente foi um acontecimento muito marcante para mim. A partir daquele dia, começou uma nova, desconhecida e de muitas mudanças para a minha vida diária e de minha família, pois ninguém estava preparado e informado sobre como agir nessa hora. Não noção do que fazer. Por isso que no início dessa minha nova vida foi muito difícil, tanto para mim como para minha família.

    Os hospitais

    Depois do acidente fiquei internado 06 meses no Hospital Getúlio Vargas em Manaus, e depois de muita luta, a família conseguiu uma vaga no Sarah Kubitschek, em Brasília, no qual fiquei também mais de seis meses. Aqui já cito uma diferença. O ‘Sarah’ era um hospital-escola especificamente criado para o trato com pessoas acometidas de acidentes e que tornariam de alguma forma um PCD, por isso era todo equipado e com um corpo técnico de profissionais especializados para esse fim, enquanto que o nosso hospital Getúlio Vargas era para o atendimento geral de todos os cidadãos que estavam acometidos de vários problemas de saúde e não especificamente para um futuro PCD.


    Porém o tratamento humano era de primeiro mundo. Os enfermeiros sempre estavam presentes para suprir todas as necessidades de um enfermo, bem como tinha a ajuda e presença constante da família que é a base de segurança e consolo nessas horas. Além é claro, dos fieis amigos que sempre nos dão um apoio fundamental no dia a dia. Aqui cito meu amigo Kennedy Lira, o querido Kendão. Sempre presente para dar apoio, o que é fundamental para melhor recuperação, enquanto o Sarah tinha um tratamento humano muito frio no trato diário com seus internados, e apesar de toda tecnologia isso conta para recuperação.

    O que gostaria de passar como experiência vivida e a diferença a qual me refiro entre esses dois hospitais.
    Acolhimento faz a diferença.

    No início da vida de um PCD, é muito difícil, pois você se encontra sem rumo, sem saber o que fazer e como fazer. O pensamento que mais aflige é: ‘ainda vai ter um futuro ou esse já será o fim’.

    Então esse dois hospitais forneceram experiências importantes. Um, apresentou instruções de como usar meios, adaptações e reabilitação para tocar a vida como um deficiente físico. E o outro com o apoio familiar e de amigos, se tem o apoio psicológico e incentivador de continuar essa vida como deficiente físico incentivado de ter um bom futuro, sabendo que se tem apoio de pessoas próximas e que gostam da gente.

    Enfim, nesses 12 meses, nesses dois locais me proporcionaram experiências que muito importantes para a minha vida como PCD.

    As instituições

    Antigamente as coisas eram bem mais difíceis para as pessoas com deficiência, até porque não havia uma política pública específica voltada para essas pessoas.

    As informações sobre esses assuntos eram poucos e ainda restritos, apesar de dispormos de dois locais específicos para isso, como é o caso da AACD fundada em agosto de 1950 e o Sarah fundado em abril de 1960. Devido ao tamanho e diferenças territoriais, sociais e econômicas de regiões desse nosso enorme Brasil, o acesso era para poucos antigamente.


    Por esses e vários fatos, vi e senti na pele a necessidade e o grande trabalho das associações, fundações e todas ONGs, agora chamadas OSCs, que visam atividades específicas voltadas às pessoas com deficiência e ainda tem um trabalho direcionado de atendimento direto com essas pessoas, conhecendo além de suas limitações a história de cada um. E aqui cito uma delas a ADEFA, fundada em 1980, pelo saudoso Manoel Marçal, ao qual faço parte há mais de 32 anos, junto com meu amigo Isaac Benayon, exercendo atividades diversas em benefício das pessoas com deficiência.

    E aqui faço questão de citar uma frase muito dita no dia, que “Uma andorinha só não faz verão”, pois, sozinho posso até ter minhas conquistas realizadas, porém, limitadas. Até por não ter informações sobre todos direitos de deveres de uma pessoa com deficiência deveria ter.

    Digo isso porque, a partir de 1981, a coisa começou a melhorar para as pessoas com deficiência. Nesse ano a ONU proclamou o Ano Internacional das Pessoas Deficientes, que teve como objetivo chamar as atenções para a criação de leis e movimentos voltados aos PCDs, e com o surgimento de várias associações no Brasil afora, inclusive aqui no Amazonas, hoje temos associação para cada tipo de deficiências, sendo física, visual, auditiva, intelectual e outros.

    Então, em minha opinião, a pessoa com deficiência, tem um alicerce legal enorme para sua inserção social, pois o Amazonas tem associações tanto em Manaus e em quase todos os 61 interiores, principalmente as APAEs e PESTALOZZI, que dão apoio maior para com os deficientes locais.

    Hoje existe política pública maior para esses segmentos. Dou como exemplos os Conselhos de categoria, como é o caso do Conselho Estadual e Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência, a criação da SEPED em 2010, Secretaria de Estado da Pessoa com Deficiência, e claro que depende do próprio PCD o alcance e acesso de seus benefícios.

    Fé em Deus

    Ressalto aqui ainda a Fé. Sim! Porque sem nosso Criador não somos nada. Ele é um grande alicerce na vida, a família que sempre nos apoia e uma boa companheira para todas horas, onde destaco minha esposa Nora, que é uma guerreira e meu alicerce dessa nova vida, por isso encerro dizendo que:

    Sou deficiente físico e usuário de cadeira de rodas há 33 anos e 7 meses e já frequentei os 4 cantos de Manaus numa cadeira de rodas, e digo que o maior problema não é a discriminação e sim a falta de INFORMAÇÃO.


    Falta de informação essa: do próprio deficiente, dos seus direitos e deveres; da família, em como tratar e cuidar dessa pessoa com deficiência; da sociedade, em aceitar o convívio com uma pessoa diferente fisicamente; do empregador em acreditar e confiar na capacidade produtiva do PCD e do Governo de desconhecer diretamente das necessidades e suprir as mesmas do PCD, porém, muita coisa já foi alcançada e por isso temos que sempre agradecer por isso e ocupar esses espaços.

    Felizes

    Digo ainda que, minha vida como deficiente físico mudou muito quando fui para a ADEFA, a Associação dos Deficientes Físicos do Amazonas, porque faço uma comparação simples dizendo assim: quando somos meninos baixinhos e vemos um mais baixinho ficamos felizes. Quando somos gordinhos e vemos um mais gordinho, ficamos felizes e quando vemos um mais feinho, ficamos felizes. E quando entrei na ADEFA descobri a resposta disso, pois ficamos felizes, não porque tem alguém pior, e sim porque não estamos só.

    ——

    Siga o editor do RDA

    Mais notícias

    Wilson Lima apresenta redução do IPVA no Amazonas e novo ciclo da CNH Social

    Gestão Roberto Cidade amplia políticas sociais e deixa legado na Assembleia Legislativa

    Investigação da PF associa trio preso com R$ 1,2 milhão a deputado Adail Filho e prefeito de Coari

    Redação Amazônia
    Hostinger
    Apoie o RDA
    ARQUIVO
    RDA · Redação Amazônia
    Facebook Instagram
    • Manaus
    • Amazonas
    • Brasil
    • Amazônia
    • Apoie o RDA
    Diretor Executivo: Kleiton Renzo | Política de Privacidade

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.

    Nós utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continua a usar este site, assumimos que você está satisfeito.