Educadores que atuam em escolas públicas em Manaus reagiram, nesta quinta-feira, 23, à fala do vereador da Câmara Municipal de Manaus (CMM) Professor Samuel (PSD), da base do prefeito David Almeida (Avante), que afirmou ser a favor da manutenção do “suco com bolacha” como merenda escolar. Para os profissionais, a declaração representa o desconhecimento do parlamentar sobre a realidade dos estudantes da rede municipal. A reportagem é da Revista CENARIUM.
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A afirmação polêmica ocorreu durante sessão plenária de quarta-feira, 22, após o vereador Elissandro Bessa (PSB) expor denúncias a respeito da qualidade das refeições ofertadas pelo sistema da rede de ensino da Secretaria Municipal de Educação (Semed). Segundo ele, o município distribui biscoitos e suco de caju como lanche. “O valor que vem para as merendas é vultuoso”, disse Bessa.
Em resposta, Professor Samuel defendeu o sistema de distribuição de merenda do município. “É lógico que a merenda escolar de mais de 500 escolas nunca vai ser uma distribuição perfeita”, alegou. “Merenda é merenda, não é almoço. Eu não posso querer encher de proteínas, porque senão, [o aluno] chega em casa, às vezes, e nem almoça […] Aí serve-se uma bolacha e um suco e é condenado“, rebateu o vereador do PSD.
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A reportagem entrou em contato com a assessoria do vereador Professor Samuel e da Prefeitura de Manaus para buscar um posicionamento acerca das declarações. Até a publicação desta matéria, ambos não deram retorno.
Críticas
À CENARIUM, profissionais e estudantes da rede pública de ensino criticaram o vereador. O acadêmico de História na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Jhonatan Nicolas, que participa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e trabalha com alunos da rede pública em diversas instituições, discorda da declaração do parlamentar.
“Essa fala só mostra o total desconhecimento da realidade dos alunos da educação básica, no Brasil e no Amazonas, que um discurso desse é baseado em uma experiência individual e reducionista, que atrasa a implementação de políticas públicas de base efetiva no enfrentamento das diversas dificuldades presente no cotidiano escola”, ressalta Nicolas.
O acadêmico continua: “Dependendo do local onde a instituição está inserida, nós conseguimos observar que as condições dos alunos são diversificadas, mas ainda assim, precarizadas. A gente consegue perceber nos alunos em maior vulnerabilidade que vezes eles repetem, se preocupam com o desperdício, o que pode ser um indicativo de que aquela alimentação é muito valiosa pra eles”, completa.
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