DO RDA – KLEITON RENZO
A pesquisa realizada pela Census Consultoria entre 1º e 4 de dezembro de 2025 confirma aquilo que já era visível nas ruas: a administração de David Almeida perdeu credibilidade, apoio e legitimidade popular. O dado mais direto do levantamento aponta que 63% dos moradores da capital desaprovam a gestão municipal. O desgaste é tão profundo que 67% acreditam que o prefeito não é bem-intencionado e 72% afirmam que ele não cumpriu o que prometeu.
A rejeição não é isolada ou restrita a um grupo. Atinge perfis variados e acompanha a experiência cotidiana do cidadão. O estudo mostra o ponto de ruptura: 61% dos entrevistados afirmam que não votariam em David Almeida de forma alguma. Quando a maioria abandona definitivamente um governante, significa que não há desgaste momentâneo, mas falência de confiança.
A cidade confirma os números. Manaus convive com lixo acumulado em bairros inteiros, vias esburacadas, equipamentos abandonados e espaços públicos deteriorados. Enquanto os moradores enfrentam alagamentos recorrentes, falta de infraestrutura e mobilidade precária, a Prefeitura centraliza investimentos em contratos terceirizados e ações de marketing. A roda-gigante se tornou o símbolo dessa desconexão. Erguida com contratação acelerada, cobrada a um valor inacessível para grande parte da população e investigada pelo Ministério Público, ela representa uma gestão que prioriza espetáculo enquanto ignora demandas básicas. A cidade olha para o equipamento e vê não progresso, mas descaso.
Os números da pesquisa sustentam essa leitura. Quando 66% afirmam que a administração está no caminho errado, o recado não é ambíguo. A população não vê planejamento, coerência ou prioridade pública. Ela vê improviso, abandono e um governo que atende poucos enquanto a maioria convive com deficiências estruturais.
A situação se agrava com o cenário jurídico. A Justiça do Amazonas autorizou sete investigações contra David Almeida envolvendo suspeitas de favorecimento privado, direcionamento de contratos, uso da máquina pública, terceirização abusiva e possíveis irregularidades na administração de serviços essenciais. Empresas contratadas pela Prefeitura são investigadas por suposta relação direta com o prefeito e seus aliados, enquanto serviços financiados com dinheiro público funcionam de forma precária ou incompleta.
Na educação, o desgaste é irreversível. Professores e servidores relatam falta de merenda, ausência de manutenção nas escolas e uma reforma previdenciária aprovada sem diálogo que ampliou tempo de trabalho, reduziu benefícios e aumentou a sensação de abandono institucional. Em paralelo, existem denúncias de uso irregular de recursos do FUNDEB e tentativas de privatização de serviços essenciais, o que ajuda a explicar por que a rejeição entre servidores públicos é uma das maiores da série histórica.
Nada disso foi aliviado pelo aumento da tarifa de ônibus em meio a um sistema de transporte insuficiente, superlotado e sem renovação estrutural transparente. Pagar mais por menos virou rotina para quem depende do transporte público. O Ministério Público analisou justificativas para reajuste e questionou a ausência de estudos técnicos consistentes, enquanto a Prefeitura manteve silêncio público e respostas evasivas.
O vínculo entre gestão e empresariado terceirizado se tornou um dos fatores centrais da rejeição. A população percebe que contratos milionários seguem intactos enquanto serviços básicos se deterioram. Servidores terceirizados ocupam cargos estratégicos sem transparência, com alta rotatividade e sem controle público de eficiência. O resultado é uma cidade administrada por contratos, não por políticas.
A pesquisa não inaugura um problema. Ela apenas legitima e quantifica o que a população já vive e sente diariamente. O desgaste não começou agora, mas consolidou-se quando a percepção de abandono encontrou os dados concretos de uma administração sem direção.
A rejeição a David Almeida é o reflexo mais claro do modelo de gestão adotado: distante da cidade real, dependente de publicidade, cercado por investigações e incapaz de entregar o básico. Manaus não rejeita um prefeito por frustração momentânea. Rejeita porque cansou de esperar. Rejeita porque viu promessas virarem espetáculo, contratos virarem suspeita e serviços públicos virarem omissão.
A pesquisa é o termômetro, mas a cidade é a prova definitiva. E as duas juntas não deixam margem para interpretação: Quando 61% afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, fica claro: a relação entre eleitor e gestor chegou ao limite. Manaus não confia mais em seu prefeito.


