A disputa pelas duas vagas do Amazonas no Senado colocou Capitão Alberto Neto (PL) e Wilson Lima (União Progressista) em campos eleitorais próximos também quando o assunto é segurança pública. Os dois candidatos defendem a adoção da castração química para condenados por estupro e abuso sexual, uma das pautas de endurecimento penal historicamente associadas à Direita brasileira.
Embora concorram diretamente pelo voto do eleitor amazonense, Alberto e Wilson apresentam um discurso semelhante: criminosos sexuais, especialmente aqueles que atacam crianças e adolescentes, precisam enfrentar punições mais duras e mecanismos que reduzam o risco de reincidência.
A diferença está no estágio de atuação de cada um.
Alberto Neto já possui participação legislativa concreta no debate. Como deputado federal, foi relator, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, de uma proposta que condiciona a progressão de regime ou a concessão da liberdade condicional à aceitação voluntária do tratamento químico-hormonal destinado à redução da libido.
O texto relatado pelo parlamentar amazonense também prevê o aumento das penas para estupro, estupro de vulnerável e outros crimes contra a dignidade sexual. A proposta foi aprovada pela CCJ da Câmara em 2025 e ainda depende da conclusão de sua tramitação no Congresso.
Alberto sustenta que a medida não representa vingança, mas uma forma de proteger a sociedade e impedir que condenados voltem às ruas sem qualquer mecanismo adicional de controle.
“Castração química é justiça, não vingança” tornou-se uma das bandeiras defendidas pelo candidato do PL, que pretende dar continuidade ao projeto caso seja eleito senador.
Wilson Lima também assumiu publicamente a defesa da castração química para condenados por estupro, principalmente nos crimes praticados contra crianças e adolescentes.
O ex-governador afirma que pretende usar um eventual mandato no Senado para endurecer a legislação penal e combater aquilo que considera uma estrutura jurídica excessivamente favorável à reincidência e à impunidade.
“A castração química é uma bandeira que eu defendo e quero lutar lá em Brasília”, declarou Wilson ao apresentar sua posição sobre o tema.
A manifestação coloca o candidato da União Progressista na mesma direção defendida por Alberto Neto: penas maiores, menos benefícios para criminosos perigosos e maior proteção às vítimas e às famílias.
A convergência entre Alberto e Wilson mostra que, apesar da disputa eleitoral, os dois candidatos procuram ocupar o mesmo campo ideológico em uma pauta sensível para o eleitorado conservador.
O endurecimento das penas, a restrição dos benefícios concedidos a condenados e a castração química de criminosos sexuais estão entre as propostas que ganharam força entre parlamentares e lideranças da Direita nos últimos anos.
A Câmara dos Deputados, inclusive, já aprovou outro projeto que prevê a castração química de condenados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes. O texto foi encaminhado ao Senado, demonstrando que a discussão deixou de ser apenas uma promessa eleitoral e passou a integrar efetivamente a agenda legislativa nacional.
No Amazonas, Alberto Neto e Wilson Lima transformam essa bandeira em um ponto de convergência. Ambos defendem que estupradores e abusadores sejam submetidos a consequências mais severas e que a legislação coloque a proteção das vítimas acima dos benefícios concedidos aos criminosos.
Na disputa pelo Senado, os dois podem concorrer pelos mesmos votos. Mas, quando o assunto é a punição aos autores de crimes sexuais, Alberto e Wilson apresentam uma mensagem praticamente uníssona: a Direita quer leis mais duras e castração química para estupradores.



