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    Foto - Divulgação
    Amazônia

    “Brasileiro odeia ser o que é, por isso rejeita indígenas”, diz Yaguarê Yamã sobre série Cidade Invisível

    23 de fevereiro de 2021
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    O lançamento da série Cidade Invisível, em 5 de fevereiro, pela Netflix, trouxe à tona debate sobre o respeito às tradições e religiosidades indígenas no Brasil. A produção, que ficou entre os temas mais comentados nas redes sociais e foi o título mais assistido do serviço de streaming no início do mês, no país, dividiu opiniões.

    Enquanto parte dos espectadores aclamava a série por promover o “folclore brasileiro”, surgiu um movimento crítico contrário que acusa a trama de apropriação cultural. Protagonizada por Marco Pigossi (Eric) e Alessandra Negrini (Inês/Cuca), a história começa com a morte de um animal exótico em uma praia no Rio de Janeiro.

    @kleiton.renzo

    O detetive Eric, da Delegacia Ambiental, se envolve em uma investigação de assassinato e descobre um “mundo subterrâneo habitado por criaturas míticas evoluídas de uma linhagem profunda do folclore brasileiro”, como descreve a sinopse. Estão presentes figuras como a Cuca, a sereia Iara, o Boto cor-de-rosa e Saci-Pererê. O roteiro foi escrito pelos brasileiros Raphael Draccon e Carolina Munhóz. A direção é de Carlos Saldanha, o mesmo do filme Rio e da saga A Era do Gelo.

    Em meio ao debate, críticos da série indicaram alguns artistas indígenas para quem deseja consumir cultura produzida por representantes desses povos e sobre eles mesmos. Um dos nomes recorrentes foi o de Yaguarê Yamã, 45 anos, escritor infanto-juvenil com 30 livros publicados, com prêmios nacionais e internacionais no currículo.

    Nascido em 1973, no interior do Amazonas, ele é filho do povo Maraguá, por parte de mãe, e da etnia Sateré-Mawé, pelo lado paterno. Yaguarê Yamã significa “clã de onças pequenas”. O escritor formou-se em geografia pela Universidade de Santo Amaro, na cidade de São Paulo, onde morou por seis anos, antes de retornar para sua terra natal.

    Yamã também é professor, ilustrador, fundador do Núcleo de Escritores Indígenas e ativista. Em entrevista ao Metrópoles, ele abordou os seguintes temas: polêmica do seriado, preconceito, história e a morte do último homem do povo Juma, por Covid-19, na quinta-feira (18/2).

    Sou antenado na internet e acompanho as discussões, ouvi falar sobre as polêmicas. Na verdade, essa discussão toda não se iniciou com a série. No meu caso, eu já venho, há algum tempo, trabalhando sobre essa questão da conscientização e valorização indígena.

    A questão do que é meu, do que me pertence e que outra pessoa não pode simplesmente usurpar. Primeiro tem de haver todo um entendimento, conhecimento. Valorização, sim, tem de haver, mas não usurpação. Cada um de nós, e digo no sentido de cultura, civilização, temos o que é nosso e temos que valorizar o que é do outro, mas com todo respeito e sem subtrair o que é do outro.

    Quando ocorre a valorização, o efeito é quebrar estereótipos, acabar com preconceitos, mas esse não é o resultado da usurpação da cultura. Valorizar seria dizer: é ele que é o criador, e não eu. Estou simplesmente mostrando o que ele tem de melhor. A gente mesmo é que precisa mostrar na cidade o que tem de melhor na aldeia, precisamos nos mostrar para acabar com o preconceito.

    Nós estamos tratando de uma questão muito importante da vida humana: o que é meu, o que é seu. O direito autoral também é coletivo. Povos criam, um grupo de pessoas fazem, e isso se torna crença, tradição, uma civilização.

    De onde vem esse preconceito em um país de raízes indígenas?

    O preconceito existe por causa da ignorância. A partir do momento que as pessoas nos conhecem, têm condição de amar e valorizar nossos costumes. Por que o Brasil não se aceita? Quase sempre o brasileiro gosta de olhar para fora e dizer: quem dera se eu pudesse ser europeu, norte-americano.

    Por que não olha para dentro e tem a felicidade de ser alguém com essa riqueza cultural imensa? O brasileiro não se valoriza, o brasileiro quer ser o que o outro é. Essa é a grande problemática da vida do brasileiro. Enquanto tem povos que adoram ser o que são, o brasileiro odeia ser o que é. Essa é a verdade. Não se olha, não se vê. É bom reforçar que grande parte da população brasileira é indígena.

    Todos sabem que o Brasil é um país fictício, um país não natural que foi simplesmente jogado em cima de várias nações que já existiam aqui, e hoje somos chamados de brasileiros por isso. Mesmo morando no mesmo país, o que é do outro não é também meu. A gente precisa respeitar o que é do outro, não simplesmente se apoderar da cultura do outro como se fosse algo que estivesse por aí perdido e a gente pegasse porque não tem dono.

    Com informações Metrópoles

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