Renan declarou que pretende cortar R$ 250 bilhões em despesas do governo e afirmou que parte da economia viria da revisão de renúncias fiscais. Foi nesse ponto que citou diretamente o modelo econômico do Amazonas.
“As federais, o governo vai precisar mexer, a começar pela Zona Franca de Manaus”, disse.
A fala foi acompanhada de uma crítica específica à indústria de motocicletas instalada em Manaus. Renan citou a Honda e afirmou que a empresa teria R$ 16 bilhões em renúncia fiscal.
Na entrevista, Renan foi além da discussão sobre impostos. Ele questionou a própria localização da indústria de motocicletas em Manaus e defendeu que fábricas sejam instaladas mais perto dos grandes mercados consumidores.
“Vai fazer moto em São Paulo, em Minas, vai fazer na Bahia, onde tem mercado consumidor. Não faz sentido fazer num lugar que é logisticamente distante”, afirmou.
A fala de Renan ocorre pouco depois de a Honda anunciar R$ 1,6 bilhão em investimentos nas operações de motocicletas no Brasil até 2029. O plano prevê aumento da capacidade produtiva da fábrica de Manaus para 1,6 milhão de unidades por ano, além de novos modelos e modernização dos processos industriais.
A operação da Honda é uma das maiores estruturas industriais do Polo Industrial de Manaus. O governo do Amazonas destacou, após o anúncio do investimento, a relação entre a fábrica, os incentivos concedidos e a geração de empregos no Estado.
Em novembro de 2026, a Honda celebra um marco importante: 50 anos de produção de motocicletas no Brasil. Fundada em 1976, a fábrica de Manaus tornou-se referência global em tecnologia, inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, sendo atualmente a unidade mais verticalizada do grupo Honda no mundo.
A operação industrial desempenha papel estratégico na economia local e nacional e reflete a forte conexão da marca com os brasileiros, construída ao longo de cinco décadas com base em confiança, qualidade e compromisso com a mobilidade.
Esta não é a primeira vez que Renan coloca a Zona Franca na mira. Em agosto, durante outra sabatina, ele já havia defendido uma revisão ampla dos incentivos fiscais e citado novamente a Honda e a ZFM como exemplos do que considera benefícios que precisam ser revistos.
Na entrevista à CNN, o candidato não apenas defendeu a revisão dos incentivos, ele colocou a Zona Franca entre os primeiros alvos de um eventual programa de corte de despesas federais.



