BRASÍLIA – O Carrefour (CRFB3) no Brasil fechou acordo com o Ministério do Meio Ambiente para patrocinar uma área da Amazônia como parte do novo programa “Adote um Parque”, que será lançado amanhã pelo governo.
O Carrefour se comprometeu a investir R$ 4 milhões por ano na preservação de uma área de conservação, disse o ministro Ricardo Salles em entrevista na sexta-feira.
A unidade brasileira da varejista francesa confirmou a negociação em comunicado à Bloomberg News, o que marca o pontapé inicial da visão do ministro para uma estrutura que regule a gestão de recursos externos na região. O presidente Jair Bolsonaro assinará o decreto criando o programa em solenidade amanhã, após um atraso de seis meses.
Companhias nacionais e internacionais – empresas, fundos de investimento ou mesmo pessoas físicas – podem patrocinar a preservação de uma unidade de conservação da floresta por 10 euros por hectare para estrangeiros e R$ 50 para empresas nacionais.
A postura do presidente e o aumento do desmatamento também vêm dificultando os esforços do Brasil para aderir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo reportagem da Folha de S.Paulo no sábado.
O acordo com o Carrefour Brasil torna a empresa responsável pela preservação de 75 mil hectares de floresta, uma área que equivale à cidade de Nova York, e prevê o patrocínio por um ano, renovável por mais quatro. O Carrefour chegou a ser excluído de índice de sustentabilidade socioambiental após a morte de um homem negro por seguranças em um supermercado da rede em Porto Alegre no ano passado.
Outras cinco empresas devem aderir nos próximos dias ao programa de adoção, segundo Salles, que não revelou os nomes porque as negociações estão em andamento. O ministro disse que, juntas, as seis empresas podem destinar R$ 14 milhões para os esforços de proteção da Amazônia.
Esse valor seria equivalente à metade do apoio financeiro que o governo aloca a cada ano para a proteção dessas áreas. “Para se ter uma ideia, hoje o governo investe R$ 28 milhões por ano para manter todas as áreas de conservação da Amazônia”, disse o ministro. “Com apenas seis empresas, já chegamos à metade desse valor.”


