Mesmo após laudo apontar que a água da Praia da Ponta Branca, na zona Sul de Manaus, está imprópria para banho, o prefeito David Almeida minimizou a situação ao afirmar que, se forem seguidos os critérios de qualidade, “muita coisa teria que ser fechada”.
O posicionamento contrasta com o que foi divulgado pela própria Prefeitura de Manaus durante a reabertura do espaço, quando a gestão apresentou a praia como opção de lazer e chegou a afirmar que a água era limpa. Agora, diante da repercussão do laudo técnico, o discurso muda e o problema passa a ser tratado como responsabilidade de outros órgãos.
Após a entrega da área com ampla divulgação institucional, David Almeida indicou que qualquer medida mais rígida depende de instituições como o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas e até da Marinha, sinalizando que a prefeitura só deve agir mediante determinação. Na prática, a gestão assume o protagonismo na inauguração, mas transfere o peso de uma possível interdição.
O laudo da Universidade do Estado do Amazonas identificou cerca de 3.500 colônias de Escherichia coli a cada 100 mililitros de água, número acima do limite de 2.000 estabelecido pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente, o que classifica o local como impróprio para banho.
A bactéria pode causar diarreia, náuseas, vômitos e infecções gastrointestinais, com possibilidade de agravamento em alguns casos. Mesmo com esses dados, não houve destaque claro sobre os riscos à saúde durante a entrega do espaço à população.
Enquanto relativiza a contaminação, o prefeito mantém a área nos planos de governo, incluindo projetos de desapropriação na entrada do Amarelinho, indicando interesse em consolidar o local como ponto de lazer. A condução do caso evidencia o contraste entre a promoção da obra e a responsabilidade sobre os impactos que ela pode gerar à saúde pública.


