MANAUS (AM) – O Governo do Amazonas repudiou, nesta segunda-feira, 23, declarações do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), sobre a investigação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) que resultou na prisão da assessora pessoal do chefe do Executivo municipal, Anabela Cardoso Freitas, por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho. Em coletiva realizada em um hotel na Zona Sul da capital amazonense, o prefeito classificou a operação como “tão autêntica quanto uma nota de R$ 300” e chamou o delegado Marcelo Martins de “covarde”.
As declarações de Almeida ocorrem 72 horas após a deflagração da Operação Erga Omnes, que atingiu os núcleos político, jurídico, empresarial e operacional da facção criminosa, em diligências realizadas em Manaus (AM); nos municípios de Belém e Ananindeua (PA); Belo Horizonte (MG); Fortaleza (CE); Teresina (PI); e Estreito (MA). Além de Anabela Cardoso, a ação também resultou na prisão de outras 12 pessoas, entre os 24 mandados expedidos pelo Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).
“O Governo do Amazonas repudia com veemência as declarações feitas pelo prefeito David Almeida, que optou por atacar o Governo, o Governador do Estado e as Forças de Segurança Pública de forma irresponsável e sem qualquer comprovação. É inaceitável que, diante de investigações sérias conduzidas pela Polícia Civil do Amazonas, que atua com autonomia e respaldo legal, o prefeito tente criar uma narrativa de perseguição política para desviar o foco dos fatos”, diz a nota do Governo do Amazonas. Veja a nota:
No comunicado, o governo estadual afirmou que a PC-AM age com base em provas, procedimentos legais e responsabilidade técnica. Todas as medidas adotadas seguem o devido processo legal, e prisões ocorrem mediante autorização do Poder Judiciário. O Governo do Amazonas mantém atuação institucional voltada ao fortalecimento da Segurança Pública. O Executivo estadual respeita a autonomia dos órgãos de investigação e do Poder Judiciário e dá continuidade às ações previstas na política pública da área.
“O momento exige equilíbrio e maturidade. É compreensível que o prefeito esteja abalado diante das circunstâncias que envolvem pessoas de sua confiança, em investigações relacionadas ao crime organizado. Porém, o Governo do Amazonas não permitirá que a verdade seja distorcida para atender interesses políticos ou eleitorais”, diz outro trecho da nota divulgada à imprensa.
Declarações
Na manhã desta segunda-feira, David Almeida questionou a ausência de prisões de traficantes e de apreensões de veículos, drogas e dinheiro durante as diligências. Em declaração pública, ele afirmou que o delegado Marcelo Martins realizou uma transmissão ao vivo às 5h no dia da operação e declarou que o alvo deixou o local antes da chegada da equipe policial. O prefeito também disse que o delegado se dirigiu à residência de uma servidora pública.
“Aí o bonzão lá, que é o delegado [Marcelo Martins], ele tem um chefe de quadrilha, no dia da operação ele faz uma live às 5 horas da manhã para anunciar para o bandido que está chegando. O bandido vai embora e ele [delegado] vai para a casa de uma colega dele de polícia, um covarde. Ele foi para a casa de uma mulher que é servidora pública honrada”, disse Almeida.
Assessora
Dados públicos de órgãos oficiais do Estado e Prefeitura mostram que Anabela Cardoso Freitas trabalha formalmente com o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), desde 2017, quando ele assumiu a presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam). Na época, ela era assessora de gabinete (APC-13), cargo do qual só foi exonerada em janeiro de 2020.
Considerada “fiel escudeira” ou “braço direito” do prefeito, além de se apresentar como advogada, ela também é investigadora da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM). O histórico profissional da assessora de David Almeida indica que Anabela mantém uma atuação administrativa e política, já que não ocupa cargos eletivos, mas exerce cargos de confiança (comissionados) de alto escalão, geralmente com símbolos DAS (Direção e Assessoramento Superior), que lhe conferem poder de decisão administrativa e gestão de equipes.
No Poder Legislativo, ela assumiu o cargo de diretora-geral adjunta e em exercício, durante a gestão de David Almeida como presidente da Aleam, função na qual atuou entre 2017 e 2018, assinando portarias e atos administrativos ao lado da presidência da Casa. Em maio de 2017, assumiu o cargo de presidente do programa “Assembleia Cidadã”, braço social do Legislativo, que recebe doações financeiras de parlamentares e servidores, que depois são repassados a instituições filantrópicas. Até março de 2020, atuou como assessora parlamentar de comissões.



