O Ministério da Saúde vai passar a oferecer gratuitamente, pelo SUS, o Implanon, um método anticoncepcional em forma de implante hormonal colocado sob a pele.
O nome técnico do produto é implante subdérmico contraceptivo liberador de etonogestrel, e ele já é utilizado em larga escala em diversos países como opção segura e de longa duração.
O dispositivo é pequeno, fino e é inserido no braço da paciente, com ação no organismo por até três anos, sendo utilizado como forma de prevenir gestações não planejadas. O novo método apresenta maior duração e alta eficácia em comparação aos já existentes.
A expectativa do ministério é, até 2026, distribuir 1,8 milhão de implantes, 500 mil apenas neste ano. O produto custa entre R$ 2 mil e R$ 4 mil, e o investimento do governo será de aproximadamente R$ 245 milhões.
“Esse implante é muito mais eficaz que outros métodos para prevenir a gravidez não planejada. Essa decisão foi da Conitec, a pedido do Ministério da Saúde, e agora vamos orientar as equipes, fazer a compra e orientar as Unidades Básicas de Saúde de todo o Brasil para já no segundo semestre desse ano começar a utilizar no SUS”, reforça o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
A decisão de incorporar o contraceptivo ao SUS foi apresentada na tarde da última quarta-feira, 2 de julho, durante a reunião da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
Além da prevenção da gravidez não planejada, a oferta do método também contribui para a redução da mortalidade materna, em consonância com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. O Ministério da Saúde assumiu a meta de reduzir em 25% a mortalidade materna geral e em 50% entre mulheres negras até 2027.
O que é e como funciona o Implanon?
O implante subdérmico é um método contraceptivo de longa duração e alta eficácia, considerado vantajoso em relação a outras opções. Ele atua no organismo por até três anos, sem necessidade de intervenções durante esse período.
Após esse tempo, o implante deve ser retirado e, se houver interesse, um novo pode ser inserido imediatamente pelo próprio SUS. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção.
Entre os contraceptivos atualmente oferecidos no SUS, apenas o DIU de cobre é classificado como LARC (sigla em inglês para contraceptivos reversíveis de longa duração).
Esses métodos são considerados mais eficazes no planejamento reprodutivo por não dependerem do uso contínuo ou correto por parte da usuária, como ocorre com os anticoncepcionais orais ou injetáveis. Os LARC são reversíveis e seguros.
Prazo para disponibilização
O Ministério da Saúde deve publicar, nos próximos dias, a portaria que oficializa a incorporação do contraceptivo no SUS.
A partir da publicação, as áreas técnicas da pasta terão 180 dias para efetivar a oferta, o que envolve etapas como atualização das diretrizes clínicas, aquisição e distribuição do insumo, capacitação e habilitação de profissionais, entre outras ações.
Atualmente, o SUS disponibiliza os seguintes métodos contraceptivos: preservativos externo e interno; DIU de cobre; anticoncepcional oral combinado; pílula oral de progestagênio; injetáveis hormonais mensal e trimestral; laqueadura tubária bilateral e vasectomia.
Entre esses, apenas os preservativos oferecem proteção contra Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).


