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    Amazonas

    Infotoxicados: entenda como o excesso de informação prejudica o cérebro

    16 de agosto de 2021
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    Não importa sua ocupação, idade ou classe social: a sensação de cansaço mental por excesso de informações é uma queixa constante já classificada informalmente como uma epidemia, ou “infodemia” – termo utilizado por especialistas para mensurar o impacto do excesso de informações e dados na vida do homem moderno.

    A boa notícia é que, para além de uma realidade ainda em ascensão, é possível virar a chave e aprender a filtrar os estímulos tecnológicos entendendo a relevância do que o nosso cérebro consome, absorvendo melhor a tecnologia, sem necessariamente ser intoxicado por ela.

    @kleiton.renzo

    Dado, informação e cansaço virtual

    Para entender o cansaço mental que vem da vida online é preciso entender que a democratização dos meios de comunicação transformou todas as pessoas em produtores de dados e informações.

    Se famílias inteiras se sentavam em frente a televisão para assistir os mesmos programas de TV há 30 anos, hoje nos contentamos em assistir a vida de outras pessoas em nossos celulares.

    Cada informação, foto, vídeo, áudio é um dado que vai para o nosso cérebro e precisa de energia para ser consumido.

    O risco, segundo a jornalista Ana Lucia Ferreira, analista de comunicação do Método SUPERA, está em não estabelecer um limite para a exposição virtual diária. “De forma isolada, os dados não alteram um contexto. Já dados contextualizados e comparados são informação. Somos bombardeados por informações e dados de todo tipo e muitas vezes não sabemos o que fazer com eles”, explicou.

    O risco da atenção parcial constante

    Você já percebeu que está cada vez mais difícil se concentrar? A atenção parcial constante é também uma consequência de um mundo multitarefa, em que somos assediados a realizar muitas coisas ao mesmo tempo.

    Para o nosso cérebro isso tem consequências que merecem a nossa atenção. “O excesso de informações afeta não apenas a concentração, mas também habilidades como a memória. Assim como a maioria das habilidades que podem ser treinadas e aprimoradas, a atenção e a concentração também podem ser fortalecidas”, assegurou Patrícia Lessa, Diretora Pedagógica do Método SUPERA, uma rede de escolas de ginástica para o cérebro.

    Por que me sinto cansado na internet?

    Levantamento da Data Never Sleeps (Dados Nunca Morrem) de 2020, mostrou que, a cada minuto cerca de 347 mil novos stories são postados no Instagram, 147 mil fotos são postadas no Facebook e 41 milhões de mensagens são trocadas no WhatsApp.

    Se ninguém consegue acompanhar tudo que é postado em um dia na internet, os algoritmos direcionam o usuário para os estímulos pelos quais ele mais é atraído. Se por um lado isso é positivo, por outro isso também contribui para a sensação de looping e cansaço mental, uma vez que o usuário não é levado para longe de suas preferências.

    “Já sabemos que os algoritmos trabalham para otimizar a experiência do usuário de forma que ele se mantenha dentro das suas preferências pessoais. Como o usuário de uma rede social sempre permanece na mesma zona, vendo os mesmos conteúdos não são instigados ao diferente, o que pode justificar essa sensação de estar sempre no mesmo lugar, fazendo a mesma coisa, também virtualmente”, explicou a jornalista.

    Virando a chave

    Uma forma de absorver melhor o que a tecnologia tem a oferecer e melhorar os “gaps” ocasionados pelo seu uso constante em termos de atenção e memória, é manter o cérebro ativo.

    “Precisamos entender que quando exercitamos o cérebro ativo com novidade variedade e desafio crescente, as conexões entre neurônios se modificam, algumas ficam mais fortes, outras mais fracas, dependendo do uso. E essa mudança, com a experiência que é justamente a base do aprendizado, faz com que o cérebro responda de uma maneira diferente da próxima vez que for usado, que for acionado. Isso é possível graças ao conceito de neuroplasticidade (ou seja, a capacidade do cérebro se modificar de acordo com estímulos), já comprovado pela neurociência”, explica a Diretora Pedagógica.

    Ela complementa dizendo que a missão do SUPERA enquanto empresa de estimulação cognitiva é também ajudar a sociedade a enxergar quando os estímulos não são favoráveis ao crescimento. “Como tudo na vida, navegar na internet também exige equilíbrio e bom senso”, conclui.

    Confira algumas dicas para fazer as pazes com a tecnologia:

    • Estabeleça horários para acessar as redes sociais;
    • Priorize o que é importante. Você tem mesmo que ver tudo o que aconteceu na vida de todos os seus amigos? Priorize seu tempo e reserve um dia da semana apenas para interações sociais e virtuais;
    • Evite os extremos – Se o excesso de informações é ruim, o contrário também não é bom. A alienação completa pode ter consequências individuais e coletivas. Busque sempre o equilíbrio;
    • Entenda o que é relevante. Quem nunca deixou de seguir alguém porque o conteúdo das postagens não fazia mais sentido? Crie filtros para identificar se assistir alguém vai somar a sua vida ou não.
    • Imagine um carro andando que freia toda hora? Quando estamos em uma tarefa e checamos as redes sociais a todo momento, interrompemos nosso pensamento e dificultamos a formação de memória.
    • Treine a sua atenção: melhorar a atenção significa melhorar sua memória. A atenção é a porta de entrada para as informações que são captadas pelos vários sentidos do nosso corpo. Quando isto acontece, as in­formações que recebemos chegam ao cérebro e são selecionadas conforme a prioridade que serão proces­sadas.
    • Mantenha o senso crítico: o que estou aprendendo vendo isso? Nossa vida é um constante aprendizado e sim: na internet aprendemos muitas coisas boas. Se um conteúdo causa mal-estar, questione o quanto você está crescendo com o que você vê todos os dias.
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