Close Menu
RDA · Redação Amazônia
    Facebook Instagram
    Facebook Instagram TikTok
    RDA · Redação AmazôniaRDA · Redação Amazônia
    Perfumes Árabes
    • Manaus
    • Amazonas
    • Brasil
    • Amazônia
    • Apoie o RDA
    Perfumes Árabes
    RDA · Redação Amazônia
    Home»Amazonas»Livro mostra como a Kodak criou o turista-fotógrafo
    Amazonas

    Livro mostra como a Kodak criou o turista-fotógrafo

    1 de janeiro de 2017
    WhatsApp Facebook Twitter Telegram LinkedIn Email
    Perfumes Árabes

    Fotografia e turismo são indissociáveis, mas uma empresa teve papel fundamental no incremento da foto amadora, a ponto de virar tema da tese de doutorado da pesquisadora e professora Lívia Aquino, agora disponível em livro publicado pelo Ministério da Cultura e Funarte, Picture Ahead: a Kodak e a Construção do Turista-Fotógrafo. Trabalho vencedor do prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia de 2015, o livro analisa anúncios, cartazes, publicações e outdoors feitos pela empresa desde a virada do século 19 até 1970, mostrando como a Kodak agiu para formar o personagem do “caçador’ de imagens que, no entender da ensaísta norte-americana Susan Sontag (1933-2004), se assemelha a um predador.

    Foto: Divulgação
    Livro conta como nasceu o turista-fotógrafo

    Um dos 6 mil cartazes que a Kodak espalhou pelos EUA entre 1920 e 1939, incentivando o fotógrafo amador

    Lívia Aquino não concorda inteiramente com ela. Lembra que Sontag escreveu isso nos anos 1970 – e que é preciso, portanto, contextualizar esse ensaio. “Havia ali o reconhecimento de uma fotografia aliada a práticas predatórias, de um fotógrafo que sai em busca de imagens pelo mundo e volta sem conhecer aquele local visitado, a cultura e as pessoas”. Contudo, reconhece a ensaísta brasileira, ela reitera parcialmente as observações de Sontag sobre tal procedimento, ao revelar práticas da Kodak em que se alinham caça e fotografia.

    @kleitonrenzo

    Seu livro, aliás, mostra como a afinidade entre fotografia e a caça acabou aproximando, em 1881, George Eastman, o fundador da Kodak e inventor do filme em rolo, de um fabricante de armas, William Walker, para pesquisar o funcionamento de peças e produtos químicos usados nos filmes, a ponto de Eastman criar o slogan “Você puxa o gatilho, nós fazemos o resto”, que deveria seduzir fotógrafos amadores avessos a câmeras sofisticadas. Eastman, conta a autora, adorava um safári no continente africano, dedicando-se  às excursões para fotografar, acampar e caçar,  logo após deixar a presidência da Kodak, em 1925.

    Desde 1839, quando surgiu, a fotografia “encontra-se vinculada aos deslocamentos e ao desejo de exploração do mundo”, observa a ensaísta Lívia Aquino, concluindo que fotografia e turismo são “experiências da modernidade”. A autora observa que, dos anos 1980 em diante, fotógrafos como o inglês Martin Parr invertem a equação e passam a “mostrar o turista como objeto” – e ela se refere particularmente à série The Last Resort, em que Parr se mostra implacável com os frequentadores dos balneários de New Brighton, registrando o mundo real da classe operária inglesa em duplicata, como se fosse um membro da família com olhar crítico – enfim, um sarcástico turista-fotógrafo.

    Outros fotógrafos, como o catalão Joan Fontcuberta – que emula, de modo irônico, o estilo da National Geographic – ou a suíça Corinne Violet – que coleta fotos de turistas em sites de compartilhamento – são analisados na tese de Lívia Aquino, mas o foco do livro é mesmo a figura do turista-fotógrafo que caça imagens, justificando seu título, Picture Ahead (Foto Adiante), slogan usado em 1920 pela Kodak numa campanha publicitária. A empresa espalhou 6 mil placas pelos EUA para chamar a atenção dos fotógrafos, então sujeitos passivos que, segundo outro slogan, não precisavam fazer nada além de apertar o botão da câmera. “Desde o início, a Kodak engendra práticas que levam o sujeito a certa passividade, mesmo que no discurso dos anúncios e das estratégias fosse dado ao cliente uma suposta escolha”, reflete a autora do livro.

    Por outro lado, a empresa investiu pesado na formação do público, não só por meio da publicidade, mas principalmente pela publicação de livros, manuais e revistas especializadas, entre as décadas de 1870 e 1890, edições que traziam em seus títulos a palavra “amador”. Esse amador não tardou a virar predador, como observou Susan Sontag e o filósofo checo Vilém Flusser (1920-1991), colaborador do Suplemento Literário do Estadão.

    Flusser comparou o gesto do fotógrafo ao movimento do caçador paleolítico que persegue a caça, como lembra no livro a ensaísta Lívia Aquino. Ao promover a popularização da fotografia, a Kodak também ajudou a disseminar falsas duplicatas do mundo registradas por turistas fotógrafos. A propósito desse mundo-imagem falso, a autora menciona os dois soldados que voltam do exterior com cartões postais em Tempos de Guerra (1963), filme de Godard em que a dupla de personagens associa imagens de monumentos das cidades por onde passaram a conquistas militares – Flusser, mais uma vez, estava certo.

    Contraponto à figura do fotógrafo como caçador, a figura da Kodak Girl criada por George Eastman e Lewis B. Jones evidencia a mudança de rumo publicitário da empresa, sensível à evolução da sociedade – a “Garota Kodak”, nos anos 1920, era independente, feminista e andava desacompanhada. “Mas ela não era tão livre assim”, observa a autora. “A publicidade nos coloca diante de uma armadilha”, conclui. A armadilha, claro, é a campanha publicitária que a mostra como um ser que circula por todos os lugares. Com sua Kodak a tiracolo, evidentemente.

    Livro conta como nasceu o turista-fotógrafo

    A Kodak Girl, criada para traduzir o visual da mulher independente e livre, sempre com a câmera a tiracolo

    Com informações do Estadão.

    Siga o editor do RDA

    Mais notícias

    Omar reúne apoio dos 62 prefeitos do Amazonas e defende união para governar o Estado

    Imersões mostram, na prática, como uma nova economia está sendo construída na Amazônia

    Orquestra de Câmara do Amazonas celebra Dia das Crianças com jovens solistas no Teatro Amazonas

    ARQUIVO
    RDA · Redação Amazônia
    Facebook Instagram TikTok
    • Manaus
    • Amazonas
    • Brasil
    • Amazônia
    • Apoie o RDA
    Diretor Executivo: Kleiton Renzo | Política de Privacidade

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.

    Nós utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continua a usar este site, assumimos que você está satisfeito.