A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, deixa o cargo que ocupa, pela terceira vez, nos mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e disse que pretendia ficar apenas dois anos na função, mas, com a sobreposição de eventos, acabou permanecendo por mais tempo. Após fazer um balanço de três anos e três meses de gestão à imprensa, Marina deve fazer a passagem oficial de comando para o secretário-executivo, João Paulo Capobianco, nos próximos dias. A ministra se despede da pasta depois que seu colega de Esplanada, ministro Renan Filho, anunciou que publicará editais de licitação para obras de recuperação da rodovia BR-319 (Manaus–Porto Velho), em um ato político ao lado de parte da bancada do Amazonas, na última terça-feira, 31.
Durante sua atuação na pasta, Marina defendeu a ideia de que a rodovia passasse por um estudo ambiental estratégico e cumprisse as condicionantes ambientais para poder viabilizar a licença ambiental para a pavimentação. A posição sempre a colocou diante dos moradores da região como “inimiga” da rodovia e do desenvolvimento na região. Agora, Renan Filho e os parlamentares do Amazonas apontaram a nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental como autorizadora das medidas que viabilizarão a obra, como editais de licitação para três lotes (do quilômetro 250 ao 659) a serem publicados no dia 10 de abril, no valor de R$ 678 milhões.
Marina comemorou os avanços nos três anos e três meses de gestão e disse ser a única a deixar os ministérios sem martelo batido sobre qual papel desempenhar na campanha eleitoral no Estado de São Paulo. A partir da próxima semana, ela reassume o mandato de deputada federal na Câmara dos Deputados. Sendo uma das principais fundadoras da Rede Sustentabilidade, a ministra disse que ainda luta na Justiça para restabelecer o estatuto da legenda que, para ela, não foi alterado de forma democrática. Mesmo sem a certeza de que dará tempo de esperar uma decisão judicial e, assim, poder disputar um cargo pelo partido, ela informou que já recebeu convites para se filiar em outras legendas que formam a coalizão de apoio ao presidente Lula, como o PT, PSB, PSOL, PV e PDT, dentre outros.
Mais uma vez, a ministra evitou falar a qual cargo vai disputar as eleições, embora comemore estar bem colocada nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, em São Paulo, o que significa estar com o “nome no páreo” da eleição. “Por que ainda não decidi? Porque nós estamos fazendo uma construção, pelo menos da minha parte, muito tranquila lá em São Paulo. Graças a Deus que já temos a Simone (Tebet), graças a Deus que temos o (Fernando) Haddad e a segunda vaga é que está sendo discutida. Fico muito honrada de estar colocada como uma dessas possibilidades”, afirmou.


