MANAUS (AM) – O Ministério Público Eleitoral (MPE) instaurou um Procedimento de Investigação Criminal (PIC) para apurar a possível prática de corrupção eleitoral envolvendo o ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), durante as eleições municipais de 2024.
A investigação foi formalizada por meio da Portaria PRE-AM nº 3, de 16 de julho de 2026, assinada pelo procurador regional eleitoral Edmilson da Costa Barreiros Júnior. No documento, o Ministério Público destaca que o procedimento foi instaurado para apurar possível crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, que trata da compra de votos.
Segundo a portaria, a investigação teve origem na DIGI-Denúncia nº 20260021631/2026, apresentada pela Instituição Indígena do Povo Kokama Dois Irmãos.
Conforme o documento, a denúncia relata que “teria sido prometida a regularização de um terreno localizado na Avenida das Flores em troca de votos nas Eleições de 2024”.

MP cita investigações pendentes
Na portaria, o procurador afirma que a antiga Notícia de Fato já havia ultrapassado o prazo de tramitação, mas que ainda existem diligências consideradas essenciais para o esclarecimento dos fatos.
O documento registra que “o prazo de tramitação desta notícia de fato já se encontra expirado, persistindo diligências imprescindíveis à sua instrução”, justificando a instauração do Procedimento de Investigação Criminal.
O Ministério Público também determinou a comunicação ao Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) e fixou prazo inicial de 90 dias para conclusão da investigação, podendo haver prorrogação caso novas diligências sejam necessárias.
Caso também é investigado pela Polícia Federal
A nova investigação do Ministério Público Eleitoral ocorre enquanto segue sem desfecho o inquérito da Polícia Federal que apura outro possível esquema de compra de votos envolvendo David Almeida durante o segundo turno das eleições municipais de 2024.
Quase dois anos após a operação da PF, o prazo de 90 dias concedido pela Justiça Eleitoral para a conclusão das investigações expirou em 8 de julho deste ano sem que o caso fosse encerrado.
O inquérito tem como principais investigados David Almeida, seu genro, Gabriel Alexandre da Silva Lima, e pastores ligados à Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB).
Genro é apontado como articulador
Um dos principais elementos do inquérito da Polícia Federal é um laudo pericial que aponta Gabriel Alexandre da Silva Lima como o principal intermediador das tratativas entre a campanha de David Almeida e lideranças religiosas.
De acordo com o documento, a articulação teria como objetivo distribuir dinheiro em troca de apoio político e votos. O nome de David Almeida aparece seis vezes no auto de prisão em flagrante que deu origem às investigações.
Operação apreendeu dinheiro e envelopes
O caso investigado pela Polícia Federal teve início às vésperas do segundo turno das eleições municipais de 2024.
Na ocasião, agentes da PF prenderam em flagrante os pastores Flaviano Paes Negreiros e Werter Monteiro Oliveira dentro do centro de convenções da Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB), na zona Norte de Manaus.
Segundo o inquérito policial, o pastor Flaviano afirmou ter recebido R$ 38 mil de um “irmão da igreja” ligado à campanha do então prefeito para distribuir entre líderes e obreiros.
Durante a operação, a Polícia Federal apreendeu R$ 21 mil em espécie, além de uma lista de presença. Conforme os depoimentos, parte do dinheiro já havia sido distribuída na noite anterior.
Os policiais também encontraram envelopes numerados contendo R$ 200 cada, que, segundo a investigação, seriam destinados diretamente à compra de votos.
Crime pode resultar em pena de prisão
O Procedimento de Investigação Criminal instaurado pelo Ministério Público busca apurar eventual prática do crime previsto no artigo 299 do Código Eleitoral, que criminaliza oferecer, prometer ou entregar vantagem a eleitor para obter voto ou conseguir abstenção.
Ao final das investigações, o Ministério Público poderá promover o arquivamento do caso ou oferecer denúncia à Justiça Eleitoral, caso entenda existirem elementos suficientes para responsabilização dos investigados.
Aguardando posicionamento
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS solicitou posicionamento ao ex-prefeito David Almeida e do Ministério Público Federal sobre a instauração do Procedimento de Investigação Criminal e os fatos apurados. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.


