O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Manaus, Givancir de Oliveira Silva (Avante), chega às eleições de 2026 com um patrimônio 1.050% maior do que o declarado há quatro anos. O dirigente sindical, que ao longo deste ano esteve à frente de sucessivos anúncios de greve e paralisações do transporte coletivo de Manaus, é candidato a deputado estadual pelo Avante, mesmo partido do ex-prefeito de Manaus e candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida.
Dados apresentados à Justiça Eleitoral mostram que Givancir declarou R$ 1,61 milhão em bens neste ano. Em 2022, quando concorreu a deputado federal pelo PSD, do senador Omar Aziz, o patrimônio informado era de R$ 140 mil. Em valores absolutos, houve um acréscimo de R$ 1,47 milhão em quatro anos.
Na eleição passada, Givancir declarou uma casa avaliada em R$ 60 mil e um veículo de R$ 80 mil.
Agora, a composição patrimonial mudou: são R$ 910 mil referentes a 70% das quotas da empresa Heaven Serviços de Aluguel de Máquinas e Equipamentos Ltda, aberta em outubro de 2023, e uma casa em Iranduba avaliada em R$ 700 mil. Somados, os dois bens chegam aos R$ 1,61 milhão informados pelo próprio Givancir à Justiça Eleitoral.
Apesar de ter 70% de quotas da empresa, Givancir informou à Justiça Eleitoral que é “motorista de veículo de transporte coletivo de passageiros”.
Greves e ameaças
O crescimento patrimonial aparece nas declarações eleitorais no mesmo ano em que Givancir ganhou maior exposição pública em Manaus por causa dos conflitos envolvendo o transporte coletivo. Como presidente do sindicato, ele assinou sucessivos comunicados de greve ao longo de 2026.
Em março, por exemplo, o sindicato comunicou paralisação caso empresas não efetuassem pagamentos aos trabalhadores. Em junho, uma nova assembleia foi convocada para deliberar sobre greve geral por tempo indeterminado diante de atrasos salariais.
No início de julho, outro comunicado estabeleceu a possibilidade de greve caso os salários não fossem pagos até o quinto dia útil.
Dias depois, em 20 de julho, a ameaça se transformou em paralisação: o sindicato anunciou a interrupção de 100% do transporte coletivo, alegando novos atrasos nos salários dos trabalhadores.
Os episódios fizeram de Givancir um personagem recorrente nas discussões sobre o transporte público da capital. As mobilizações tiveram como justificativas apresentadas pelo sindicato questões trabalhistas, como atrasos salariais, benefícios, reajuste e manutenção dos postos de cobradores. Em maio, por exemplo, a categoria cobrava reajuste de pelo menos 12%, enquanto as empresas teriam apresentado proposta de 2%.
Do sindicato para as urnas
Poucos dias depois da greve de julho, Givancir anunciou sua entrada na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). O sindicalista passou a integrar o Avante, partido pelo qual David Almeida concorre ao Governo do Estado.
Coincidentemente, nos indicativos de greve, Givancir endurece o tom das críticas ao Governo do Amazonas – a quem acusou de não pagar dentro do prazo – e diminuiu a acidez dos questionamentos quando trata da Prefeitura de Manaus ou do prefeito Renato Júnior – coordenador da campanha de David Almeida.
A relação entre a atuação sindical e a candidatura ganhou outro componente quando Givancir utilizou suas redes sociais para convocar motoristas, cobradores e demais trabalhadores para a convenção partidária do Avante, que oficializaria as candidaturas do grupo político.
A candidatura coloca o presidente do sindicato diretamente na disputa eleitoral depois de um primeiro semestre marcado por sucessivos conflitos envolvendo rodoviários, empresas de ônibus e o poder público, especialmente o Governo do Amazonas.



