MANAUS (AM) – A gestão do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), prevê gastar R$ 142,7 milhões com a Secretaria Municipal de Comunicação (Semcom) em 2026, enquanto a Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (Sepdec) contará com R$ 1,7 milhão para operar ao longo do mesmo ano. Os valores constam na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, sancionada no fim de dezembro de 2025 e publicada no Diário Oficial do Município.
Na comparação direta entre as duas estruturas, a prefeitura autoriza R$ 141 milhões a mais para comunicação institucional do que para a área responsável por prevenção e resposta a desastres. Em termos proporcionais, o orçamento da Semcom é 82 vezes maior que o da Sepdec, o que representa uma diferença exata de 8.119,11% entre os recursos destinados às duas áreas em 2026.

Os dados mostram como a prefeitura distribuiu os recursos públicos no orçamento municipal. Enquanto a Semcom concentra valores voltados à divulgação e publicidade das ações municipais, a Sepdec é o responsável por prevenção, preparação, mitigação e resposta a desastres, incluindo enchentes, alagamentos, deslizamentos e erosões em áreas urbanas.

Essa diferença registrada na LOA 2026 segue a diretriz adotada pela prefeitura no planejamento de médio prazo. No Plano Plurianual 2026–2029, o município prevê um total de R$ 280,3 milhões para Divulgação e Publicidade das Ações Municipais ao longo de quatro anos, valor que orienta as dotações anuais autorizadas à Secretaria de Comunicação.
Mais de 112 mil pessoas em áreas de risco
Enquanto o orçamento autoriza recursos elevados para comunicação institucional, dados do Serviço Geológico do Brasil (SGB) indicam que aproximadamente 112 mil pessoas vivem em áreas classificadas como de risco alto e muito alto em Manaus. O levantamento identifica 438 setores de risco no município, sujeitos a eventos como inundações, alagamentos, enxurradas, erosões e deslizamentos.
De acordo com o SGB, esses setores foram enquadrados nas categorias R3 (risco alto) e R4 (risco muito alto), que exigem ações permanentes de monitoramento, prevenção e resposta por parte do poder público. As áreas mapeadas concentram população vulnerável a eventos hidrológicos e geológicos, especialmente durante o período chuvoso e nas cheias anuais do Rio Negro.


