O vereador e pré-candidato a deputado federal Coronel Rosses (PL) trouxe a público nesta sexta-feira, 13, por meio de suas redes sociais, informações contidas em um relatório da Polícia Federal que aponta indícios de suposta corrupção eleitoral por meio da compra de votos durante o segundo turno das eleições municipais na capital amazonense.
“A direita não perdeu as eleições de 2024 em Manaus. Se os fatos apontados no relatório da Polícia Federal forem confirmados, o que houve foi um processo contaminado por práticas que precisam ser investigadas e esclarecidas pela Justiça”, afirmou o vereador.
O documento, elaborado pela Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional da Polícia Federal no Amazonas, apresenta a análise de supostas evidências digitais obtidas a partir de celulares apreendidos durante as investigações.
De acordo com o relatório, a análise das mensagens e áudios identificou tratativas envolvendo lideranças religiosas ligadas à Igreja Pentecostal Unida do Brasil (IPUB). Entre as fontes examinadas estão conversas no grupo de WhatsApp denominado “DED DZFO 23/24”, formado por lideranças religiosas, além de interações individuais com o contato identificado como Gabriel Davi Almeida.
Segundo o documento, o contexto investigativo teve início com a convocação de ministros, pastores e obreiros para uma reunião na véspera do segundo turno eleitoral, ocorrida em 26 de outubro de 2024. As mensagens analisadas indicam que a presença no encontro estaria associada à assinatura de lista e à manutenção de determinados benefícios.
O relatório também registra a existência de áudios indicando promessa ou entrega de dinheiro em espécie, incluindo menções como “o dinheiro estará chegando em poucos minutos”. Há ainda referências à organização da divisão de valores em envelopes identificados com nomes de igrejas e pastores.
Outro ponto destacado pelos investigadores é o uso de expressões como “faz me rir” e “bênção”, que, segundo a análise do material periciado, aparecem contextualizadas como referência a pagamentos destinados a lideranças religiosas com o objetivo de influenciar votos.
As evidências analisadas também apontam a possibilidade de dois pagamentos relacionados ao processo eleitoral, um no primeiro turno e outro no segundo turno. Conforme a análise da Polícia Federal, o valor estimado para o segundo turno teria sido de aproximadamente R$ 80 mil.
O relatório menciona ainda conversas direcionadas ao contato identificado como Gabriel, nas quais haveria pedido explícito para envio de “todo o valor” antes de ações de mobilização eleitoral.
Outro ponto registrado no documento é o indício de parentesco entre Gabriel e o prefeito de Manaus, David Almeida, informação que, segundo o relatório, é corroborada por registros disponíveis em fontes abertas.
Ao final da análise, a Polícia Federal registra que os elementos informativos encontrados indicam tratativas relacionadas à entrega e divisão de valores para mobilização eleitoral, além do uso de estatísticas de membros da igreja como base de negociação.
Diante desses elementos, o relatório conclui que há indícios da prática de corrupção eleitoral por meio da compra de votos.
Ao divulgar o documento, Coronel Rosses afirmou que a sociedade precisa ter conhecimento das informações constantes no relatório e defendeu que os fatos sejam plenamente esclarecidos pelas autoridades competentes.
“Estamos falando de informações que constam em um relatório da Polícia Federal. A população tem o direito de conhecer esses fatos e cobrar que tudo seja investigado com transparência”, afirmou.


