O governador Wilson Lima (União Brasil) tem sido taxativo ao discutir seu futuro após o encerramento do mandato, afirmando a interlocutores que, embora não pretenda buscar um cargo eletivo imediato, não pretende descansar. Pelo contrário, o plano de Lima é realizar um recuo estratégico para “descansar sua imagem” e reaparecer no cenário público não apenas mais experiente, mas intelectualmente preparado para debater o Amazonas e o Brasil sob perspectivas políticas, técnicas e teóricas.
Jornalista de profissão, ele planeja ingressar imediatamente em um curso de mestrado com foco em um futuro doutorado e, embora ainda não tenha definido a instituição de ensino, já escolheu o tema central de seus estudos: políticas públicas para a Amazônia.
De acordo com fontes consultadas pelo portal O Poder, as pretensões de Wilson Lima vão além da academia e alcançam a esfera internacional, indicando um forte desejo de seguir carreira diplomática.
O governador teria inclusive sondado autoridades sobre a possibilidade de ser indicado como embaixador, uma movimentação que justifica sua urgência em se qualificar academicamente. O caminho para a chefia de uma missão diplomática, no entanto, exige o cumprimento de requisitos rigorosos estabelecidos pela Constituição Federal e pela Lei do Serviço Exterior.
Para que um cidadão que não pertença aos quadros de carreira do Itamaraty possa ser indicado, é necessário ser brasileiro nato, ter mais de 35 anos e possuir reconhecido mérito e notório saber em áreas relevantes para os interesses nacionais. Além disso, a indicação depende da escolha do Presidente da República e de uma aprovação obrigatória pelo Senado Federal, após sabatina técnica na Comissão de Relações Exteriores.
Dessa forma, o foco no mestrado surge como uma etapa essencial para validar o “notório saber” de Wilson Lima sobre a região amazônica, principal ativo do Brasil nas relações internacionais contemporâneas.
Ao unir a experiência prática de quem governou o maior estado do Norte à autoridade técnica de um especialista, o governador busca construir a musculatura necessária para enfrentar o crivo do Senado e consolidar sua transição da política local para a diplomacia de alto nível.


