Morreu nessa quarta-feira, 17, o último guerreiro da etnia indígena Juma, Aruká Juma, aos 86 anos de idade vítima da Covid-19. O ancião que lutava pela vida desde janeiro deste ano foi um dos sobreviventes do massacre de seringueiros a indígenas no Sul do Amazonas na década de 1960.
Aruká foi internado em um hospital de Humaitá (a 591 quilômetros de Manaus), com quadro de pneumonia e problemas respiratórios. Na unidade, ele recebeu o diagnóstico da Covid-19. Em dois de fevereiro, o quadro de saúde agravado do ancião foi agravado e Aruká foi transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Rondônia.
O sepultamento estava previsto para ocorrer na noite dessa quarta-feira, 17, na região do Rio Açuã, território da cidade de Canutama, onde fica localizada a aldeia Juma, ao Sul do Estado do Amazonas. Aruká deixa três filhas Juma: Mandeí Juma, Maitá Juma e Boreha Juma; além de 14 netos e bisnetos de outras dissidências tribais.
Luta
Conforme a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, os primeiros registros do povo Juma datam de 1750, na região do Rio Madeira e Tapajós. Em 1948, segundo o órgão, vários grupos de regionais invadiram a aldeia indígena e quase os levaram à extinção.
Em 1985, após estudo in loco na região onde habitavam o povo Juma, o antropológo Güter Kroemer (1939-2009) descreveu o massacre sofrido pelos indígenas após uma invasão de seringalistas e comerciantes de castanha de Canutama. O relato histórico está descrito no jornal impresso Porantim, do Conselho Indgenista Missionário (Cimi). Veja no link.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) classificou a morte do indígena como “devastadora” e “irreparável”. “O povo Juma, falante da língua tupi Kagwahiwa, sofreu inúmeros massacres. Saindo de 15 mil pessoas no início do século XX para quatro pessoas em 2021. Isso é um genocídio comprovado, mas nunca punido, que levou seu povo quase ao completo extermínio”, diz nota.



