O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), mentiu, nesta segunda-feira, 23, ao declarar que a gestão dele na prefeitura não foi alvo de operação da Polícia Federal (PF) nos últimos seis anos. A declaração ocorreu durante o lançamento de sua pré-candidatura ao Governo do Amazonas, em um hotel na Zona Sul da capital, enquanto reagia à operação da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) que resultou na prisão de sua assessora pessoal, Anabela Cardoso, suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
A afirmação desconsidera duas operações distintas deflagradas pela PF entre 20 e 22 de junho de 2023, que tiveram como alvo a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp) e resultaram na instauração de inquéritos e no envio de denúncias à Justiça Federal. De acordo com a corporação, a Operação Entulho apurou indícios de corrupção, fraudes contratuais, utilização de empresas de fachada, sonegação fiscal e superfaturamento em contratos de coleta de lixo que ultrapassam R$ 245 milhões. As investigações abrangeram a análise de vínculos empresariais e a atuação de agentes públicos na celebração e manutenção dos contratos.
Ainda segundo a PF, na época, a Operação Dente de Marfim, realizada dois dias após a primeira ação policial, aprofundou investigações sobre contratos firmados entre a Prefeitura de Manaus e a empresa Mamute Conservação, Construção e Pavimentação Ltda., com foco em suspeitas de pagamento de propina para manutenção e aditivação de contratos milionários. A investigação mirou os crimes de corrupção, fraude em licitação, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, com estimativa de movimentação de ao menos R$ 30 milhões.
Em 2024, o nome de David Almeida voltou a integrar os relatórios policiais. Na época, a PF instaurou investigação para apurar indícios de participação do prefeito, sob suspeita de integrar um esquema de pagamento de propina relacionado a contratos públicos. Reportagem do site UOL informou que valores teriam sido repassados à Dulce Almeida, então secretária municipal de Educação e irmã do mandatário.
Um relatório do Ministério Público Federal (MPF), citado pela publicação, mencionou o repasse de R$ 100 mil por José Antonio Marques, sócio da empresa Tumpex, responsável pela coleta de lixo em Manaus, em contexto ligado a contrato de R$ 6 milhões na Secretaria Municipal de Infraestrutura.


