Após dois dias de debates, o Amazon On 2026 encerrou sua terceira edição consolidando-se como um dos principais fóruns dedicados à discussão de soluções para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Realizado em Manaus, o encontro reuniu mais de 1.700 inscritos e 1.400 visitantes únicos, além de representantes do governo federal, agências reguladoras, organismos internacionais, universidades, empresas e especialistas do Brasil e do exterior para discutir temas como conectividade, transição energética, inteligência artificial, bioeconomia e infraestrutura digital.
Ao longo da programação, um dos consensos foi o de que a expansão da infraestrutura de telecomunicações e energia é condição essencial para ampliar o acesso a serviços públicos, impulsionar a inovação e reduzir desigualdades na Amazônia. Os debates também reforçaram que a conectividade deve ser tratada como infraestrutura estratégica para o desenvolvimento econômico, a soberania nacional e a melhoria da qualidade de vida das populações amazônicas.
“O Amazon On nasceu com o propósito de aproximar diferentes setores para discutir soluções concretas para a Amazônia. A cada edição, reunimos mais especialistas, instituições e empresas comprometidos com o desenvolvimento sustentável da região. Acreditamos que conectividade, energia, inovação e conhecimento precisam caminhar juntos para ampliar oportunidades, melhorar a qualidade de vida das populações amazônicas e fortalecer a conservação da floresta”, afirmou o coordenador do evento, Moisés Moreira.
Entre os destaques do segundo dia esteve o painel “Soberania e Sustentabilidade na Amazônia a partir da Infraestrutura de Telecomunicações e Energia”, que reuniu representantes do Governo Federal, empresas e provedores de internet para discutir os desafios da transformação digital na região. A diretora do Departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Danielle Ayres, defendeu que políticas de telecomunicações e energia sejam planejadas de forma integrada e com coordenação do Estado. “Tecnologia, segurança e digitalização não são mais assuntos transversais. Eles fazem parte de todas as atividades. Cabe ao Estado criar as condições para o desenvolvimento dessa infraestrutura, por meio de incentivos regulatórios, financiamento e uma governança coordenada”, afirmou.
Representando os provedores regionais, o CEO da ClickIP e vice-presidente da Associação de Provedores de Internet do Amazonas (Apriam), Maykon Souza, destacou que a infraestrutura digital precisa ser tratada como um ativo estratégico para o desenvolvimento da região. “A infraestrutura digital é tão importante quanto a energia elétrica para uma indústria. Muitos municípios ainda não compreendem o potencial econômico que uma conexão de qualidade pode gerar, especialmente diante do avanço da inteligência artificial e da economia digital”, disse.
No painel de encerramento “Da Amazônia para o Mundo”, especialistas defenderam que tecnologia, conectividade e inovação são ferramentas essenciais para fortalecer a bioeconomia, ampliar o acesso a políticas públicas e gerar oportunidades para as populações dos territórios tradicionais. A professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Maria Angélica Corrêa, destacou que o conhecimento científico deve estar a serviço da conservação da floresta e do desenvolvimento regional.
“A tecnologia é uma ferramenta fundamental para mostrar ao mundo a realidade da Amazônia e contribuir para sua preservação. Vivemos uma emergência climática e precisamos transformar conhecimento em ações concretas. A riqueza deste bioma exige mais pesquisa, investimentos e responsabilidade para que seu desenvolvimento ocorra de forma sustentável”, afirmou.
Outro tema de destaque foi a transição energética na Amazônia. Especialistas discutiram alternativas para ampliar a infraestrutura energética e garantir um fornecimento mais eficiente e seguro para comunidades remotas. Para o CEO da Âmbar Energia Amazonas, João Pilla, o fortalecimento do setor passa pela solução de desafios estruturais.
“A qualidade do serviço passa por três grandes desafios: reduzir os custos operacionais, combater as perdas não técnicas, que hoje representam nosso maior problema, e enfrentar a inadimplência. Quando a empresa se torna eficiente, ela consegue reinvestir na expansão e na melhoria da geração e da distribuição de energia”, destacou.
Durante os dois dias de programação, o Amazon On promoveu oito painéis com representantes da Anatel, ANEEL, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial, CAF, Huawei, Qualcomm, HMN Technologies, UNESCO, União Internacional de Telecomunicações (UIT), além de autoridades de Portugal, Suriname, República Dominicana, Colômbia, Cabo Verde e Peru. As discussões abrangeram temas como transição energética, inteligência artificial, infraestrutura digital, conectividade significativa, bioeconomia e experiências de inovação desenvolvidas na própria Amazônia.
Outro tema recorrente ao longo do evento foi a necessidade de fortalecer a soberania digital da Amazônia por meio da expansão da infraestrutura de telecomunicações e da proteção de dados. No painel “Soberania e Sustentabilidade na Amazônia a partir da Infraestrutura de Telecomunicações e Energia”, a diretora do Departamento de Segurança da Informação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Danielle Ayres, defendeu que políticas de telecomunicações e energia sejam planejadas de forma integrada e com coordenação do Estado.
“Tecnologia, segurança e digitalização não são mais assuntos transversais. Eles fazem parte de todas as atividades. Cabe ao Estado criar as condições para o desenvolvimento dessa infraestrutura, por meio de incentivos regulatórios, financiamento e uma governança coordenada”, afirmou.
Como um dos principais resultados da terceira edição, o Amazon On anunciou a criação do Instituto Amazon On, organização sem fins lucrativos que dará continuidade às iniciativas promovidas pelo fórum ao longo do ano. Segundo Moisés Moreira, o objetivo é transformar o encontro em uma plataforma permanente de articulação entre especialistas, instituições e organizações comprometidas com o futuro da Amazônia.
“O Amazon On deixa de ser apenas um evento e passa a ser uma plataforma permanente para conectar pessoas, instituições e iniciativas comprometidas com o futuro da Amazônia. Queremos fortalecer esse ambiente de diálogo e cooperação para transformar boas ideias em projetos capazes de gerar desenvolvimento sustentável para a região”, concluiu.



