MANAUS (AM) – A defesa da deputada estadual e candidata a vice-governadora do Amazonas, Alessandra Campêlo (PSD), solicitou à Justiça Eleitoral, na terça-feira, 13, a suspensão da posse e a proibição do porte de armas de fogo do vereador Sargento Salazar (PL) e do candidato a deputado estadual Kidson Maia (PL). O pedido foi apresentado à 1ª Zona Eleitoral de Manaus, por meio de uma representação criminal eleitoral, após gestos interpretados pela parlamentar como ameaças de morte durante o primeiro debate do segundo turno das eleições para o Governo do Amazonas. A defesa também requer o afastamento dos dois em relação à candidata, a proibição de contato por qualquer meio e restrições de acesso a áreas reservadas de eventos políticos.
O episódio ocorreu durante o encontro entre Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo Seffair (PL), candidatos ao Governo do Amazonas no segundo turno, marcado para 25 de outubro. Alessandra, que integra a chapa de Omar, relatou que Kidson fez repetidamente um movimento semelhante ao de cortar o pescoço. A petição sustenta que a conduta representa uma ameaça à integridade da parlamentar e invoca a Lei Maria da Penha e entendimento atribuído ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a aplicação de medidas protetivas em casos de violência política contra mulheres.

Medidas solicitadas
Na representação criminal eleitoral 0600028-85.2026.6.04.0001, os advogados requerem o envio de ofícios à Polícia Militar do Amazonas (PM-AM), à Polícia Federal e ao Comando do Exército para identificar eventuais registros de armas em nome dos dois políticos e viabilizar o cumprimento de uma possível decisão judicial.
A petição destaca que ambos têm formação policial militar. No caso de Kidson Maia, o documento informa que ele deixou os quadros da PM-AM em 2012, após ser considerado incapaz para o serviço policial.
Em relação a Salazar, a defesa cita uma condenação definitiva anterior no Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), relacionada à exibição e ao engatilhamento de armas em propaganda contra adversários políticos. O documento também menciona que o vereador é réu em uma ação penal por homicídio decorrente de intervenção armada.
Entre as medidas solicitadas está a proibição de aproximação a menos de 200 metros de Alessandra, de seus familiares e das testemunhas indicadas no procedimento. A restrição também abrangeria ligações telefônicas, mensagens diretas, marcações em plataformas virtuais e interações em redes sociais direcionadas às pessoas protegidas.
Os advogados também solicitam que Salazar e Kidson sejam impedidos de acessar bastidores, camarins, salas de imprensa e áreas reservadas a comitivas em debates, comícios e outros compromissos de campanha dos quais a candidata participe. A defesa pede ainda que ambos sejam intimados pessoalmente e advertidos sobre as consequências do eventual descumprimento das medidas, conforme o artigo 24-A da Lei Maria da Penha.
Kidson Maia recebeu R$ 1 milhão em recursos públicos do Partido Liberal para financiar sua campanha eleitoral de 2026 e obteve 38.549 votos, segundo dados da Justiça Eleitoral. O candidato conquistou uma vaga de suplente na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Já Sargento Salazar (PL) foi o candidato a deputado federal mais votado do Amazonas nas eleições gerais de 2026, com 212.432 votos, e recebeu R$ 3 milhões do PL para financiar sua campanha.



