O trânsito da capital amazonense entrou em estado crítico no início de 2026. Dados recentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) revelam um aumento alarmante de 34% no número de mortes no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.
Entre janeiro e março, 67 pessoas perderam a vida em sinistros de trânsito na cidade, contra 50 no ano anterior. O crescimento acende um sinal de alerta para autoridades e sociedade, indicando uma escalada da violência viária que rompe a tendência de estabilidade observada anteriormente.
Escalada mês a mês
Os números mostram que a crise se intensificou ao longo do trimestre:
- Janeiro: 21 mortes (alta de 31%)
- Fevereiro: 21 mortes (alta de 40%)
- Março: 25 mortes (alta de 32%)
Cada vítima representa mais do que uma estatística — são histórias interrompidas e famílias impactadas de forma irreversível.
Imprudência segue como principal causa
Especialistas apontam que o avanço das fatalidades está diretamente ligado a comportamentos de risco no trânsito. Entre as principais causas estão:
- Excesso de velocidade
- Falta de atenção
- Consumo de álcool
Essas imprudências continuam sendo determinantes para a ocorrência de acidentes graves e fatais.
Sistema de saúde sob pressão
Além das mortes, o impacto sobre a rede pública de saúde também preocupa. Somente nos primeiros três meses do ano, mais de 7,5 mil vítimas lesionadas foram atendidas no Amazonas — sendo 80% dos casos registrados em Manaus.
Atualmente, cerca de 75% dos leitos hospitalares públicos estão ocupados por vítimas de acidentes de trânsito, o que evidencia o peso da crise para o sistema de saúde e os custos sociais envolvidos.
Tipos de acidentes em alta
Os dados também apontam mudanças no perfil dos sinistros:
- Quedas de moto: crescimento de 150%
- Choques com objetos fixos: alta de 44%
- Colisões: aumento de 26%
- Atropelamentos: crescimento de 5%
Proposta: pacto pela vida no trânsito
Diante do cenário, o especialista em trânsito Mário Ricardo Carvalho defende a realização urgente de um Fórum de Mobilidade Urbana, reunindo poder público, instituições e sociedade civil para a construção de um novo plano estratégico de segurança viária.
A iniciativa dialoga com projetos locais como o “Me Sinto Seguro”, que propõe ações integradas de educação, fiscalização e conscientização para reduzir acidentes e salvar vidas.
Mudança depende de todos
Para Mário Ricardo, a reversão desse quadro exige não apenas políticas públicas mais eficazes, mas também uma mudança de comportamento dos condutores.
“A pressa não pode ser maior que a prudência. No trânsito, uma distração pode ser fatal”, reforça o defensor da idealizador da campanha.
Quem é Mário Ricardo
Mário Ricardo é mestre em Engenharia e especialista em segurança viária. Atua na Escola Pública de Trânsito do Estado do Amazonas e é fundador dos projetos Desacelera Manaus e Me Sinto Seguro.
Também apresenta o programa de rádio Desacelera Manaus, voltado à conscientização para um trânsito mais seguro, humano e eficiente.


