Manaus se prepara para receber, nos dias 10, 11 e 12 de abril, a II Convenção Amazônida de Circo e Artes Performáticas (II CACIRCO), um evento que se consolida como espaço de formação, criação e articulação das artes circenses na Amazônia.
A proposta é uma imersão nas artes circenses onde o corpo deixa de ser apenas instrumento e passa a ser linguagem viva, atravessada pela floresta, pela cidade e pelas tensões da Amazônia contemporânea. A programação reúne oficinas, debates e espetáculos, promovendo a circulação de saberes, práticas e experiências entre artistas locais e de outras regiões do país.
Formação que vai além da técnica
A II CACIRCO se estrutura como um dispositivo de formação que ultrapassa o ensino tradicional das técnicas circenses.
“Não se trata apenas de ensinar técnicas, mas de ativar processos. O treinamento, o erro, o risco e a presença são compreendidos como modos de produção de conhecimento. O corpo que treina é o mesmo que pesquisa”, observa Jean Winder.
Serão oficinas em diversas modalidades (acrobacia aérea, acrobacia de solo, malabarismo, equilibrismo, palhaçaria e práticas corporais), organizadas por níveis (básico ao avançado), e abertas a diferentes perfis de participantes. O evento contará com espaços de treinos livres, incentivando a experimentação e a troca de experiências entre os participantes, além de espaço para exposição e comercialização de equipamentos circenses, fortalecendo a cadeia produtiva local.
Circo como pensamento crítico
Mais do que prática, a convenção também se afirma como espaço de reflexão. Mesas de debate abordarão temas como acessibilidade, gênero, produção cultural e políticas do corpo, fortalecendo o circo como campo crítico dentro das artes e das ciências humanas.
“A palavra aqui não explica a prática. Ela tensiona, amplia e devolve sentido ao gesto. Os espetáculos emergem desse encontro como síntese e explosão”, complementa Jean Winder.
Espetáculos como rituais contemporâneos
A programação artística será dividida em três momentos: Noite Vitória Régia, Noite Uirapuru e Noite de Gala, reunindo artistas previamente selecionados. A Noite de Gala, em especial, se destaca como um grande encontro de linguagens, trajetórias e estéticas.
“São rituais contemporâneos onde diferentes estéticas e trajetórias se cruzam, revelando a potência do circo produzido a partir da Amazônia. Cada número carrega histórias, territórios e modos de existência, reafirmando o circo como expressão viva da cultura amazônica.”
Amazônia como centro de criação
Ao reunir artistas de diferentes regiões, o evento fortalece redes e promove trocas horizontais de conhecimento, rompendo com a lógica centralizada da produção cultural brasileira.
“O encontro entre artistas locais e de fora não se dá pela lógica da importação, mas pela troca horizontal, onde saberes se contaminam e se reinventam. A proposta desloca o olhar sobre o circo e reposiciona a Amazônia como centro de criação artística”, enfatiza o artista.
Impacto social e democratização do acesso
O projeto realizará apresentações em escola pública periféricas, ampliando o acesso à arte e incentivando o contato de crianças e jovens com o circo. Todas as atividades serão gratuitas, com classificação livre nos espetáculos e oficinas abertas a partir de 5 anos, mediante acompanhamento de responsáveis. O evento também contará com recursos de acessibilidade, como intérprete de Libras, audiodescrição, rampas e piso tátil.
Formação, permanência e transformação
Mais do que formar artistas, a II CACIRCO busca criar condições para a continuidade das práticas circenses na região.
“É uma ação de deslocamento. Desloca o olhar sobre o circo. Desloca o lugar da Amazônia na produção cultural. Desloca o próprio entendimento de formação artística. Aqui, o corpo não se prepara para o palco. O corpo é o próprio território onde o mundo acontece”, enfatiza Jean Winder.
Realização
A II CACIRCO é organizada pela Companhia Circo Caboclo, coletivo artístico sediado em Manaus, responsável pela gestão, curadoria e execução do projeto. Este projeto foi contemplado no Edital Macro Chamamento Público n° 002/2024 da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura-PNAB.
Programação
Dia 10/04 (sexta-feira)
Universidade Federal do Amazonas (UFAM)- Faculdade de Educação Física e Fisioterapia – Auditório- Bloco C
Manhã- Circo Também é estudo
09h às 10h30- Apresentação de Trabalhos Acadêmicos- Mediação Kelly Vanessa
10h40 às 12h- Mesa Redonda – Mediação Kelly Vanessa
Faculdade de Educação Física e Fisioterapia- Quadra do Proamde- UFAM
Oficinas
14h às 15h – José Arenas- Dança Aérea
15h às 17h – CTLX- Oficina de Acrobacia de Solo
15h às 17h – Teffy Rojas – Oficina de Malabares
Dia 11/04 (sábado)
Palácio da Justiça- Avenida Eduardo Ribeiro, 901 – Centro
Oficinas
14h às 16h – Cleciano Cardoso – Oficina “A descoberta do Clown”
14h às 16h – Wesley Craveiro- Oficina de Perna de Pau
Apresentações
10/04- Sexta-feira*- 18h às 19h30 – Noite Vitória Régia- (Aéreo das Valkyrias- Tecido e Lira Acrobática/ Teffy Rojas- Malabares/ Fernanda Bezerra- Trapézio e José Arenas- Pêndulo)
11/04- Sábado*- 18h30 às 19h30- Noite Uirapuru- (Renner Martins- Tecido Acrobático/ Cia. Acrobática CTLX- Acrobacia de Solo/ Laisa Fonseca- Lira/ Utopia no Igarapé- Malabares)
12/04- Domingo*- 18h às 19h30- Noite de Gala- (Fernanda Bezerra e Juliana- Duo Lira)/ Abramo- Malabares/ Laisa Fonseca e Paloma Blandina- Acrobacia de Solo/ Iogan Ariel- Palhaçaria/ Lia de Paula- Âncora Suspensa).


