A recuperação da BR-319 é apontada como uma das medidas para reduzir o isolamento logístico do Amazonas e ampliar a competitividade da economia regional. Apesar dos avanços obtidos nos últimos anos com as obras de recuperação de rodovias e ramais executadas pelo Governo do Amazonas, Manaus ainda depende, principalmente, dos transportes fluvial e aéreo para se conectar ao restante do país, condição que eleva os custos logísticos, dificulta o escoamento da produção e limita a integração do estado aos mercados nacionais.
Essa relação entre infraestrutura interna e integração logística é analisada pelo engenheiro civil Marcellus Campêlo, ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). Durante o período em que esteve à frente dos dois órgãos, ele acompanhou projetos voltados à melhoria da infraestrutura urbana e viária do Amazonas. Em março deste ano, Campêlo deixou os cargos para colocar o nome à disposição do União Brasil como pré-candidato a deputado estadual.
Segundo ele, os investimentos realizados em rodovias e ramais contribuem para melhorar a circulação dentro do estado, mas precisam estar associados à ampliação das conexões com outras regiões do país. “A infraestrutura viária precisa dialogar com a cidade e com a produção. Quando você conecta ramais, bairros e rodovias, cria um fluxo contínuo para circulação de pessoas e mercadorias. Isso reduz perdas, melhora o planejamento logístico e aumenta a competitividade da produção”, afirma.
Atualmente, Manaus permanece ligada ao restante do território nacional principalmente pelos rios e pelo transporte aéreo. Essa condição aumenta custos para diferentes setores econômicos e influencia diretamente a operação de empresas instaladas no estado, incluindo o Polo Industrial de Manaus.
Esse cenário, ressalta Marcellus Campêlo, se reflete no chamado “custo amazônico”, que impacta diferentes cadeias produtivas. “Na construção civil, por exemplo, o transporte de materiais pode representar entre 15% e 20% do custo de uma obra executada em municípios do interior, percentual superior ao observado em outras regiões do país”, comparou.
É nesse contexto que a BR-319 volta ao centro das discussões sobre logística. A rodovia federal, que liga Manaus a Porto Velho (RO), possui trechos pavimentados e outros em processo de recuperação e manutenção. A conclusão das intervenções no chamado “trecho do meio” ainda depende do avanço do licenciamento ambiental conduzido pelo Governo Federal, etapa considerada decisiva para a continuidade das obras.
“A logística é um dos motivos pelos quais os benefícios da Zona Franca de Manaus precisam ser assegurados. Produzir na Amazônia tem desafios adicionais justamente pelas características geográficas da região. Melhorar as alternativas de transporte significa reduzir barreiras e criar condições mais competitivas para o desenvolvimento”, observa.
DEVER DE CASA
A discussão sobre a BR-319 também passa por um ponto importante: antes de ampliar a ligação do Amazonas com o restante do país, foi preciso fortalecer a infraestrutura dentro do próprio estado. Nos últimos anos, esse processo ganhou ritmo com investimentos em rodovias, estradas e ramais, ampliando a mobilidade e criando melhores condições para o transporte de pessoas e mercadorias.
Parte desse avanço ganhou força a partir de 2021, com a implantação de programas do Governo do Estado, como o Asfalta Amazonas, conduzido pela Sedurb e UGPE. Com investimentos de cerca de R$ 1,5 bilhão, o programa levou obras de pavimentação e recuperação de rodovias, estradas, ramais e vias urbanas a 43 municípios.
Ao todo, mais de 1,5 mil quilômetros de vias foram executados, ampliando as condições de mobilidade e fortalecendo a infraestrutura de transporte em diferentes regiões do Amazonas.
Os efeitos dessas intervenções passaram a ser percebidos na mobilidade e na logística do estado. Rodovias como a AM-070, que liga Manaus a Iranduba e Manacapuru, e a AM-010, entre Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, passaram a oferecer melhores condições de tráfego, reduzindo o tempo de deslocamento, facilitando o escoamento da produção e garantindo maior regularidade no abastecimento de mercadorias, especialmente durante o período de chuvas.
“A melhoria das ligações internas e a ampliação das conexões externas fazem parte de um processo voltado à redução de custos, ao fortalecimento da produção e à criação de melhores condições para atividades como indústria, tecnologia, inovação e bioeconomia”, observa Marcellus Campêlo.


