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    Home»Amazonas»“Parintins precisa deixar de ser tratado como um evento”, diz produtora cultural após análise dos três dias do festival
    Festival de Parintins
    Produtora cultural Michelle Andrews analisa o Festival de Parintins 2026 e propõe melhorias em infraestrutura, acessibilidade, turismo e valorização profissional. (Foto/Divulgação)
    Amazonas

    “Parintins precisa deixar de ser tratado como um evento”, diz produtora cultural após análise dos três dias do festival

    30 de junho de 2026
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    PARINTINS (AM) – Após acompanhar de perto os três dias do Festival de Parintins 2026, a produtora cultural Michelle Andrews fez uma análise profissional sobre a organização do evento e apontou mudanças que, na sua avaliação, são fundamentais para fortalecer a experiência do público e consolidar ainda mais o maior espetáculo cultural da Amazônia. Entre os principais pontos destacados estão o acesso ao Bumbódromo, investimentos em infraestrutura, valorização dos profissionais locais, acessibilidade e fortalecimento do turismo comunitário.

    Para Michelle, um dos maiores desafios ainda é garantir que todos tenham acesso ao espetáculo sem enfrentar a insegurança causada pela especulação na venda de ingressos.

    @kleiton.renzo

    “O maior problema hoje é a insegurança de quem vai ao festival sem saber se conseguirá entrar no Bumbódromo para assistir à apresentação do seu boi. O acesso precisa contemplar todas as classes sociais. Atualmente, os cambistas acabam ditando os preços dos ingressos, e isso só é possível porque falta uma regulação mais efetiva,” declarou.

    Ela ressalta que o crescimento do festival exige investimentos compatíveis com sua dimensão internacional.

    “Se já somos o maior festival cultural a céu aberto do mundo, é preciso investir continuamente na infraestrutura e acreditar ainda mais na cultura do nosso estado”, disse.

    Na avaliação da produtora, a evolução artística dos bois Garantido e Caprichoso não foi acompanhada por melhorias mais estruturais na cidade.

    “O crescimento artístico do festival não foi acompanhado pelos investimentos em infraestrutura na cidade. O Aeroporto de Parintins, por exemplo, ainda não recebeu a ampliação necessária para atender a demanda. A cada troca de governos, parece que o festival continua sendo tratado apenas como um evento, quando deveria ser encarado como uma política permanente de desenvolvimento,” destacou.

    Ela defende investimentos permanentes em mobilidade urbana, saneamento, hospedagem, turismo comunitário e infraestrutura básica para atender moradores e visitantes.

    Pensando nas próximas edições, Michelle também propõe medidas voltadas ao conforto e à inclusão do público, como a criação de espaços específicos para famílias com bebês, ampliação da acessibilidade e implantação de ilhas de resfriamento com sombra, ventilação e nebulização para amenizar o calor durante a programação.

    Outro ponto considerado estratégico é a valorização da mão de obra amazonense.

    “Os grandes projetos realizados durante o festival precisam garantir uma participação mínima de trabalhadores e trabalhadoras da cultura de Parintins e do Amazonas, inclusive em cargos de coordenação e direção. Defendo uma cota mínima de 40% para profissionais locais. Precisamos deixar de importar quase toda a mão de obra especializada e investir na valorização de quem vive, produz e fortalece a cultura amazônica,” declarou.

    Michelle também acredita que o diálogo entre organizadores, poder público e sociedade deve ocorrer durante todo o ano.

    “Parintins já possui uma programação cultural muito rica ao longo do ano, que merece mais visibilidade e investimento. O festival pode se consolidar também como um grande espaço nacional de encontro entre fazedores de cultura, oferecendo formações em turismo, produção cultural, economia criativa e comunicação popular,” disse.

    Ao projetar o futuro do Festival de Parintins, a produtora aponta três prioridades: tornar o evento mais acolhedor para famílias e crianças, fortalecer o turismo comunitário e ampliar ações de inclusão, acessibilidade e equidade de gênero.

    “A primeira prioridade seria tornar o festival mais acolhedor para famílias, especialmente para crianças. A segunda seria fortalecer o turismo comunitário, que é um dos maiores diferenciais de Parintins e pode gerar renda para a população local durante todo o ano. A terceira seria garantir mais conforto e inclusão, com a implantação de ilhas de resfriamento, ampliação da acessibilidade e o compromisso de que toda a programação oficial respeite a equidade de gênero e a diversidade”, finalizou.

    Para Michelle Andrews, o Festival de Parintins já alcançou reconhecimento internacional pela grandiosidade do espetáculo apresentado na arena. Agora, segundo ela, o próximo passo é fazer com que a estrutura, a organização e a experiência do público estejam à altura da excelência artística que transformou a festa em um dos maiores patrimônios culturais do Brasil.

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