O Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM) determinou a devolução de mais de R$ 1,7 milhão aos cofres públicos após identificar superfaturamento e outras irregularidades na obra da Cidade Universitária, em Iranduba (cerca de 27 quilômetros de Manaus). O projeto, iniciado na gestão do então governador Omar Aziz (PSD), foi alvo de representação do Ministério Público de Contas (MPC-AM), que apontou falhas graves na execução do empreendimento milionário. A reportagem é do portal Dia a Dia Notícia.
Cidade Universitária
Em 2012, durante a gestão do ex-governador Omar Aziz (PSD) e mantido no governo de José Melo, o projeto da Cidade Universitária foi anunciado como um marco para a educação superior no Amazonas. A obra, orçada com estimativa em R$ 300 milhões de reais, previa a criação de um grande campus integrado, com capacidade para atender milhares de estudantes da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) em cursos de diversas áreas.
A área da Cidade Universitária fica próxima à Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Negro e ao Parque Nacional de Anavilhanas.
Com a promessa de criar um complexo que incluiria espaços residenciais, comerciais e turísticos, o projeto despertou grandes expectativas. Agora, depois de mais de 10 anos as obras estão paralisadas, e o que resta no local são apenas ruínas e destroços.
Histórico dos custos da Cidade Universitária
Essa obra foi orçada em R$ 300 milhões em 2012, mas o valor total para sua conclusão chegou a R$ 700 milhões em 2018. A paralisação em 2017 resultou em um desperdício de pelo menos R$ 100 milhões em estruturas abandonadas.
Punição
Na atual decisão, o Pleno do TCE-AM determinou que a então secretária de Estado de Infraestrutura, Waldivia Ferreira Alencar, e a empresa EDEC devolvam R$ 1,2 milhão aos cofres públicos, conforme consta no site do MPC-AM. Já o fiscal da Seinfra, Emerson Reding de Oliveira, e a mesma empresa foram condenados a ressarcir outros R$ 500 mil.
Além disso, os três, junto com a construtora, receberam multas superiores a R$ 20 mil, em razão de infrações graves às normas legais e prejuízos ao erário.
Pedra no sapato de Omar Aziz
A Cidade Universitária se tornou um calcanhar de Aquiles para o senador Omar Aziz, que recentemente declarou ser pré-candidato nas eleições de 2026. O parlamentar chegou a sinalizar que, caso eleito, pretende retomar a obra, mas a série de escândalos, falhas de gestão e o atual estado de abandono do empreendimento devem voltar ao debate eleitoral.
Com estruturas erguidas e milhões já investidos, mas sem funcionalidade, a Cidade Universitária permanece como um retrato da má gestão de recursos públicos e um desafio político para quem pretende reassumir o governo do Estado.