MANAUS (AM) – Um levantamento da REVISTA CENARIUM, feito a partir de dados do Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus, identificou seis empresas que aparecem no topo dos contratos de fornecimento de materiais destinados à infraestrutura em 2026, com valores rigorosamente iguais para dois tipos de insumos. Cada uma delas soma R$ 26.994.410,00, resultado da combinação de um contrato de R$ 14.857.500,00 para cimento Portland e outro de R$ 12.136.910,00 para ferro vergalhão e estribo. O período abrange tanto o final da gestão do ex-prefeito David Almeida (Avante) quanto a atual administração de Renato Júnior (Avante).
As seis empresas são Mabole Construções e Comércio Ltda., Nale Construtora Ltda., Moura Suporte e Manutenção Ltda., RNC Construtora, Serviço de Locação e Terraplanagem Ltda., MCON Comércio e Indústria de Artefatos de Cimento SA e Moraes e Cavalcante Materiais de Construção Ltda. Somadas, as contratações atribuídas a esse grupo chegam a R$ 161.966.460,00 em 2026, considerando apenas os dois contratos apontados no levantamento para cada empresa.
O levantamento identificou a repetição integral dos valores entre diferentes empresas contratadas para os mesmos tipos de insumo. Na análise histórica, o padrão de valores repetidos também aparece em contratações de outros materiais e serviços. Os dados utilizados pela reportagem estão reunidos em documentos identificados como registros de contratos de 2021 a 2026 e têm como origem o Portal da Transparência da Prefeitura de Manaus, onde foram consultadas as informações contratuais disponibilizadas pelo município.
Valores iguais
Segundo o levantamento, o padrão identificado em 2026 aparece em 18 contratos de cimento Portland, cada um no valor exato de R$ 14.857.500,00, e em outros 18 contratos de ferro vergalhão e estribo, cada um de R$ 12.136.910,00. Os dois conjuntos representam, respectivamente, R$ 267.435.000,00 e R$ 218.464.380,00, totalizando R$ 485.899.380,00 em contratos envolvendo esses dois insumos.
Dentro desse conjunto, as seis empresas que aparecem no topo repetem exatamente a mesma combinação financeira. Em todos os casos apontados, o contrato de cimento corresponde a R$ 14.857.500,00 e o de ferro, a R$ 12.136.910,00, fazendo com que cada empresa alcance individualmente R$ 26.994.410,00.
Além dessas seis empresas, o levantamento registra outros fornecedores com apenas um dos contratos de valor repetido. A KZA Manos Comércio de Materiais de Construção e a Medicorp Obras e Consultoria Empresarial Ltda. aparecem com contratos de cimento de R$ 14.857.500,00 cada, enquanto a JSS Engenharia Ltda. e a Elétrica Manaus Ltda. aparecem com contratos de ferro de R$ 12.136.910,00 cada.
A documentação analisada também aponta que algumas empresas presentes nos contratos de 2026 já haviam participado de contratações anteriores, com valores semelhantes ou em outros segmentos da infraestrutura. A Elétrica Manaus, por exemplo, aparece em 2026 com contrato no valor de R$ 12.136.910,00 para fornecimento de ferro e também figura entre as contratadas em 2024 para fornecimento de madeira.
O caso de 2026 integra uma sequência de registros analisada pela reportagem desde 2021. A série histórica identificou contratos com valores repetidos em diferentes anos e envolvendo materiais e serviços como pedra, areia, cimento, madeira e serviços de engenharia, além dos contratos de ferro e cimento registrados neste ano.
Contratos anteriores
Em 2025, segundo os dados levantados, a repetição de valores aparece em contratos de serviços comuns de engenharia de natureza continuada para manutenção predial e reparação em prédios escolares e de feiras. O valor de referência que se repete é de R$ 14.520.000,00, enquanto alguns contratos correspondem exatamente ao dobro desse montante, chegando a R$ 29.040.000,00.
Entre os registros citados estão o Contrato nº 013/2025, da Attalea Construções Ltda., no valor de R$ 14.520.000,00, e o Contrato nº 074/2025, da mesma empresa, de R$ 29.040.000,00. A ENS Serviços de Construção Ltda. aparece no Contrato nº 077/2025, também de R$ 29.040.000,00, enquanto Platina Serviços de Engenharia Ltda., Desenvolva Empreendimentos e Serviços de Construções Ltda. e MV Construção de Edifícios e Serviços de Arquitetura Ltda. aparecem em contratos de R$ 14.520.000,00.
Em 2024, o levantamento identifica cinco contratos de R$ 14.214.882,24 cada para fornecimento de tábua de madeira azimbre e peça de vigamento destinadas à Secretaria Municipal de Educação (Semed) e à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf). Os contratos citados são os de nº 010/2024, 011/2024, 012/2024, 013/2024 e 015/2024, firmados, respectivamente, com HG Comércio de Construções, Elétrica Manaus, Santo André Comércio de Materiais de Construção, Astec – Construções e Tecnologia e L W Comércio de Materiais de Construção.
O levantamento também retrocede a 2022, ano em que identifica quatro grupos de contratos com valores repetidos. Foram apontados dez contratos de R$ 20.199.800,00 para pedra e brita, oito de R$ 15.006.200,00 para areia média e areia grossa, oito de R$ 14.777.522,72 para meio-fio pré-moldado e nove de R$ 12.504.810,24 para cimento Portland.
Somados, esses quatro grupos de contratos de 2022 alcançaram R$ 552.811.073,92. Entre as empresas citadas nos diferentes grupos estão Astec, Mabole, Barros e Fonseca, Tevan Comercial, RNC Construtora, JSS Engenharia, Hepta Mix, F S Horacio, Delta Comércio, MaxTotal, Sam Comércio, Holmes Transporte, J S E Comércio, Tag Comércio de Tintas, J. F. de S. Teles, Ardo Construtora, A. E P. Construção, Nale Engenharia, Santo André e Moura Suporte.
A série histórica também registra empresas que voltam a aparecer em diferentes anos e objetos. A Mabole Construções e Comércio Ltda., por exemplo, aparece em 2022 nos contratos de cimento, pedra e meio-fio e retorna em 2026 nos contratos de cimento e ferro. A Nale Construtora/Engenharia Ltda. aparece em contratos de 2022, transporte em 2023 e 2024, pavimentação em 2025 e novamente nos dois grupos de insumos de 2026.
A Moraes e Cavalcante Materiais de Construção Ltda. também aparece em diferentes momentos da série. De acordo com o levantamento, a empresa tinha contratos de R$ 1,9 milhão em 2021 e R$ 5,5 milhões em 2022, passou a R$ 6,5 milhões em contratos de madeiras de lei em 2025 e, em 2026, aparece entre as seis empresas que somaram R$ 26.994.410,00 em contratos de cimento e ferro.



