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    Home»Amazonas»Tribunal de Contas barra licitação bilionária da Seap no Amazonas
    TCE-AM
    O TCE-AM suspendeu uma licitação de quase R$ 4 bilhões da Seap e determinou auditoria nos contratos da pasta. (Reprodução/Seap)
    Amazonas

    Tribunal de Contas barra licitação bilionária da Seap no Amazonas

    2 de julho de 2026
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    MANAUS (AM) –  O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) determinou a suspensão de uma licitação bilionária da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap). O certame, estimado em quase R$ 4 bilhões, visava a contratação de serviços de cogestão e disciplinamento penal nas unidades prisionais do estado.

    Além do bloqueio, o pleno do tribunal aprovou a realização de uma inspeção extraordinária para auditar todos os contratos da pasta assinados nos últimos 8 anos.

    @kleiton.renzo

    A decisão acompanhou o voto do conselheiro-relator Érico Desterro, que apontou indícios de direcionamento e ausência de cobertura orçamentária regular no edital. O procedimento havia sido lançado no final de 2025.

    “Eu concedi a cautelar para suspender a licitação que gira em torno da monstruosa cifra de quase R$ 4 bilhões para este objeto aqui. Isto foi lançado no final de 2025, portanto, no momento em que o governo estava já em processo de transição”, explicou Desterro durante a sessão ordinária da terça-feira, 30/6.

    Possível direcionamento de licitação

    O relator detalhou que o edital apresentava regras que limitavam a ampla concorrência de mercado. Entre os pontos críticos, Desterro destacou a proibição da participação de empresas sob a forma de consórcio, quando duas empresas ou mais se unem para assumir o serviço ou obra comum em licitações de grande porte para evitar riscos de paralisação ou atrasos,  e a escolha do pregão presencial ao invés da modalidade eletrônica, dificultando a entrada de concorrentes de outros estados o que pode indicar um direcionamento para empresas locais

    “As razões mais importantes que me fizeram suspender foram as seguintes: uma vedação à participação de pessoa jurídica em consórcio. Um valor destes é extremamente complicado que uma empresa dê conta de um objeto complexo do jeito que é”, argumentou o relator. Ele complementou afirmando que “não há justificativa nenhuma para que se adote aqui esta modalidade [presencial]”, disse Desterro.

    Outro aspecto que fundamentou a suspensão foi o risco fiscal de longo prazo, uma vez que um contrato tão robusto por longo prazo poderia inviabilizar o planejamento orçamentário dos anos seguintes.

    “Não identifiquei a regularidade da cobertura orçamentária para isso, portanto, possivelmente comprometendo a receita e a despesa do exercício de 2027 e 2028”, alertou o conselheiro.

    Debate acalorado e ‘cleptogoverno’

    Durante os debates no Pleno, o conselheiro Ari Moutinho defendeu rigor na apuração das denúncias e criticou o histórico das contratações no setor de segurança penitenciária local.

    “[É] mais uma atitude desse ‘cleptogoverno’. É escândalo de todas as matizes. E eu gostaria, senhora presidente, de pedir aqui vista primeiro do processo, e pedir uma inspeção extraordinária de 8 anos nesses órgãos que já foram pautas nacionais da imprensa. Esse, volto a dizer, desse cleptogoverno que acha que tudo pode, que acha que tudo vai fazer”, afirmou Moutinho.

    Ele sugeriu a existência de monopólios camuflados e a necessidade de apurar a influência de grupos externos no sistema prisional.

    “Esse balaio de gatos que trata 4 bilhões como se fossem 4 centavos. Nós temos que colocar a luz solar em cima dessa podridão que são os contratos da segurança penitenciária no estado do Amazonas“, declarou o conselheiro.

    A inspeção extraordinária de 8 anos autorizada pelo tribunal buscará rastrear se as empresas prestadoras de serviço da Seap compartilham os mesmos sócios, endereços ou grupos econômicos. A secretaria e os responsáveis pelo edital serão notificados para apresentar as justificativas técnicas e correções necessárias à Corte de Contas.

    Por meio de nota, a Seap reafirmou seu compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos, e afirmou que mantém todas as informações de caráter público acessíveis aos órgãos de controle e à sociedade, colaborando integralmente com os procedimentos de fiscalização e atuando sempre em prol da melhoria dos serviços prestados à população.

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