KLEITON RENZO E BRUNO PACHECO – DO RDA
A Prefeitura de Anamã recebeu, desde 2024, R$ 4.628.209,77 em repasses para a execução de obras de ampliação e melhoria do sistema de abastecimento de água do município. No entanto, a população continua enfrentando problemas relacionados à qualidade da água, mesmo após o encerramento da vigência do convênio.
Vale destacar que, desde janeiro de 2025, a prefeita da cidade é Kátia Maria Dantas Ribeiro, esposa do ex-prefeito do município Jecimar Pinheiro, atual secretário de governo da gestão da mulher.
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Um documento obtido com exclusividade pela reportagem do portal Redação Amazônia (RDA) junto à Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) aponta que o Convênio nº CV 0010/2024-UGPE, firmado entre a prefeitura e o órgão estadual, previa investimento total de R$ 6,5 milhões para a ampliação e melhoria do sistema da sede do município.
O acordo teve início em 5 de junho de 2024 e vigência até 5 de junho de 2026. Nesse período, foram repassados R$ 4.628.209,77 à administração municipal, mostra a UGPE.
Apesar do investimento, moradores afirmam que a crise no abastecimento persiste e que a água distribuída continua apresentando problemas de qualidade, situação que, segundo relatos, se arrasta há mais de duas décadas.

Vídeo sobre a situação da água repercute nas redes sociais
A situação voltou a ganhar destaque após um vídeo publicado pelo humorista William Ribeiro, que reúne mais de 2,1 milhões de seguidores no Instagram.
Nas imagens, o influenciador mostra a água barrenta distribuída na cidade e afirma que o problema é antigo. O vídeo ultrapassou 170 mil curtidas e gerou ampla repercussão nas redes sociais.
Durante a gravação, William Ribeiro criticou a ausência de soluções para o abastecimento.
“É a cidade toda que está assim, e não sou eu quem está dizendo. É a população. E isso aqui [a crítica] é para todo mundo, para quem está entrando agora, para quem está no poder, porque quem paga é o povo”, afirmou.
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Prefeita anuncia nova parceria com a Cosama
Após a repercussão do caso, a prefeita Kátia Maria Dantas Ribeiro publicou um vídeo ao lado de representantes da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), informando que equipes técnicas do Estado estiveram no município para avaliar o sistema de abastecimento.
Segundo a gestora, foram realizados levantamentos técnicos, alinhamentos e discussões sobre investimentos para fortalecer o serviço de distribuição de água.
O que chama atenção é que mesmo após a própria Cosama atestar que a água de Anamã é imprópria para uso e quase R$ 5 milhões terem sido repassados ao município para solucionar o problema da água, a gestão de Kátia Danas informa que vai começar tudo de novo.
Moradores cobram solução definitiva
Mesmo com a visita da equipe técnica e com os recursos já transferidos por meio do convênio da UGPE, moradores ouvidos pela reportagem afirmam que o problema permanece sem solução.
Eles relatam que a comunidade convive há mais de 20 anos com dificuldades no abastecimento e questionam a efetividade dos investimentos realizados, uma vez que, após o repasse de mais de R$ 4,6 milhões, a cidade continua enfrentando reclamações sobre a qualidade da água fornecida.
Crise sem solução
A crise da água em 2026 fez a prefeita Katia Dantas receber uma condenação do TCE-AM, na qual foi responsabilizada por manter o fornecimento de água com coliformes fecais, conforme mostrou uma reportagem do portal RDA em abril deste ano. O Tribunal deu 30 dias para a prefeitura apresentar soluções ao problema.
A decisão, publicada em fevereiro no Diário Oficial Eletrônico da Corte, evidencia sério risco direto à saúde pública e determina medidas urgentes sob pena de novas sanções à gestora. A apuração foi formalizada no Processo nº 13252/2025, a partir de uma Representação interposta pelo Ministério Público de Contas (MPC).
Em 2024, a reportagem do RDA já havia denunciado que os moradores de Anamã estavam consumindo água com coliformes fecais. À época, o prefeito da cidade era Chico do Belo.
No último dia 2 de julho, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM), por meio da Promotoria de Justiça de Anamã, requereu à Justiça o prosseguimento do cumprimento de sentença que determina ao município a implantação de um sistema adequado de tratamento e distribuição de água.
A medida ocorreu após a constatação de que a prefeitura não comprovou o cumprimento do acordo celebrado para regularizar o abastecimento. A manifestação foi apresentada pelo promotor de Justiça Matheus de Oliveira Santana, na semana passada.


