KLEITON RENZO, editor do RDA
Documentos oficiais da UGPE, obtidos com exclusividade pelo RDA via Lei de Acesso à Informação (LAI), confirmam que a gestão de Kátia Dantas e Elenilson Antunes está há mais de um ano com R$ 3,1 milhões em caixa para ampliar e melhorar o sistema de abastecimento de água de Anamã, e não deu sequência à execução da obra.
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Em julho de 2025, a Prefeitura de Anamã, sob a gestão de Kátia Dantas, recebeu R$ 3,1 milhões corresponde à segunda parcela do Convênio nº 010/2024, firmado entre o Governo do Amazonas, via UGPE, e o município, ainda na gestão do ex-prefeito Chico do Belo, para a melhoria do sistema de abastecimento de água na sede de Anamã.

O valor global do projeto está orçado em mais de R$ 6,7 milhões, dos quais a primeira parcela, de R$ 1,5 milhão, foi paga em julho de 2024 e, conforme comprovam registros técnicos e relatórios fotográficos de novembro de 2024, houve execução física inicial, com a instalação de tubulações e da rede de distribuição pela empresa contratada, G P Ferreira Eireli.

OBRA PARADA
O problema começa a partir de janeiro de 2025, na gestão de Kátia Dantas, quando a Prefeitura de Anamã deixou de dar sequência ao projeto-base original e não deu continuidade às obras.
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De acordo com o cronograma financeiro apresentado pela UGPE, a gestão de Kátia Dantas apresentou a prestação de contas referente ao recebimento desses R$ 3,1 milhões em 20 de maio de 2026. Portanto, quase um ano depois de ter recebido o dinheiro e não ter executado o restante da obra. Veja abaixo.


ADITIVOS
Por duas vezes, a gestão de Kátia Dantas solicitou prorrogação de prazo para executar as obras e não cumpriu com as datas estabelecidas. Em dezembro de 2025, a gestão da prefeita pediu mais prazo até junho de 2026.
Segundo a Prefeitura de Anamã, a elevação do nível das águas e os alagamentos na área urbana de Anamã comprometeram o andamento das atividades de engenharia, gerando interrupções obrigatórias nos trabalhos de campo.

Em 3 de junho de 2026, Kátia Dantas assinou, novamente junto à UGPE, o Terceiro Termo Aditivo, que prorrogou novamente a vigência do convênio até 5 de dezembro de 2026. 
REPERCUSSÃO
A situação da água de Anamã voltou a tomar conta do debate público após denúncia do humorista William de Oliveira, que publicou vídeo mostrando a qualidade insalubre da água distribuída na cidade.
@owilliandeoliveira Quem pode fazer alguma coisa pelo município de Anamã-AM? #amazonas #anamã #agua ♬ som original – Willian de Oliveira
Após a repercussão do vídeo, o Ministério Público do Estado (MPE-AM) cobrou do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), a execução da sentença contra a Prefeitura de Anamã, que foi condenada a pagar mais de R$ 500 mil por danos morais coletivos.
No último dia 22 de junho, o promotor de Justiça Matheus de Oliveira Santana informou que a documentação apresentada por Kátia Dantas não comprova o cumprimento das obrigações assumidas. Segundo o MP, embora a Prefeitura de Anamã tenha informado que parte das obras foram executadas, não foi apresentado um cronograma atualizado, específico e verificável, contendo etapas pendentes, prazos objetivos, responsáveis técnicos e demais elementos indispensáveis para permitir o acompanhamento da execução da obra.
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Diante do descumprimento da pactuação, o Ministério Público requereu o prosseguimento integral do cumprimento da sentença, com a adoção das medidas executivas e coercitivas cabíveis, inclusive em relação às multas previstas, para assegurar o efetivo cumprimento da decisão judicial e a regularização definitiva do abastecimento de água em Anamã.
SEM RESPOSTA
O RDA procurou a Prefeitura de Anamã para explicar as razões de terem parado a execução da obra tendo em caixa mais de R$ 3 milhões especificamente para melhoria do sistema de abastecimento de água.
Até a publicação da matéria não houve resposta.
Prezados,
A reportagem do portal RDA solicita à Prefeitura de Anamã e aos responsáveis pelo acompanhamento do convênio junto à UGPE o envio de documentos que comprovem a execução da obra de melhoria do sistema de abastecimento de água do município.
Solicitamos, especificamente, os documentos referentes à execução da obra a partir de julho de 2025, período em que houve o recebimento da segunda parcela do convênio com a UGPE, no valor de R$ 3,1 milhões.
Pedimos, por gentileza, o envio de:
Documentos que atestem a execução da obra;
Cópias dos serviços e etapas efetivamente executados;
Valores pagos em cada etapa da obra;
Medições, notas fiscais, ordens de pagamento ou documentos equivalentes que comprovem os pagamentos;
Informações sobre o andamento da obra no período de julho de 2025 a agosto de 2026.As informações serão utilizadas para fins jornalísticos e para garantir a apuração dos dados relacionados à aplicação dos recursos públicos.
Prazo para envio: quarta-feira (12), às 9h.



