Manaus (AM) – O presidente da Câmara Municipal de Manaus (CMM), vereador David Reis (Avante), exonerou a servidora Elis Regina da Silva Picanço, conhecida politicamente como Dona Elis, do cargo de diretora da Escola do Legislativo poucos dias após o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) admitir uma representação que apura o suposto acúmulo irregular de três cargos públicos ocupados por ela.
A representação foi apresentada pela Secretaria-Geral de Controle Externo (Secex) e admitida pela Presidência do TCE em 22 de junho, com publicação no Diário Oficial da Corte em 23 de junho de 2026. Além de Elis Regina, o processo também tem como representados o presidente da CMM, David Reis, o secretário de Estado de Saúde, Luís Alberto Saraiva Santos, e o prefeito de Beruri, Emerson Klinger Gonçalves de Mello.
Segundo a área técnica do Tribunal, há indícios de que a servidora acumulava vínculos na Câmara Municipal de Manaus, na Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) e na Prefeitura de Beruri, situação que pode configurar afronta ao artigo 37 da Constituição Federal. A representação também aponta suspeita de ausência de contraprestação laboral, hipótese que, se confirmada, poderá caracterizar violação aos princípios da moralidade e da probidade administrativa.
Apenas uma semana depois, em 1º de julho, David Reis assinou o ato que exonerou Elis Regina do cargo comissionado de diretora da Escola do Legislativo, função que ocupava na estrutura da Câmara de Manaus. O documento não informa o motivo da exoneração nem faz referência ao procedimento instaurado pelo Tribunal de Contas.
Em agosto de 2025, David Reis publicou em suas redes sociais um encontro que teve com Elis Regina e seu esposo, Batista Picanço, então presidente municipal do Avante em Beruri. Veja o registro do encontro no gabinete de David Reis.
Ex-vereadora e candidata à Prefeitura de Beruri
Além da atuação como servidora pública, Elis Regina da Silva Picanço possui trajetória política em Beruri.
Nas eleições municipais de 2024, ela disputou a Prefeitura de Beruri pelo Avante, na coligação Unidos por Beruri, mas não foi eleita. Antes disso, foi vereadora do município, eleita em 2020 e 2016, além de ter sido suplente em 2012 e candidata em 2008, segundo registros da Justiça Eleitoral apresentados pelo sistema de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais (DivulgaCandContas).
Na campanha de 2024, declarou patrimônio de R$ 620 mil, composto por imóveis e veículos, e movimentou R$ 155,2 mil em receitas eleitorais. Desse total, R$ 146,7 mil (94,5%) tiveram origem em repasse da direção nacional do partido. A prestação de contas registra ainda despesas de aproximadamente R$ 151,2 mil, concentradas principalmente em atividades de militância, serviços advocatícios, material gráfico, prestação de serviços de terceiros e combustíveis.

Investigação segue em andamento
A admissão da representação pelo TCE não significa condenação dos envolvidos. Nesta fase, o Tribunal apenas reconheceu que os elementos apresentados pela área técnica justificam a abertura da apuração.
Ao longo da instrução, o TCE deverá analisar documentos, ouvir os envolvidos e verificar se houve acúmulo ilegal de cargos, incompatibilidade de jornadas e eventual ausência de prestação efetiva dos serviços.
Se as irregularidades forem confirmadas, o processo poderá resultar na responsabilização dos agentes públicos envolvidos, além de outras medidas previstas na legislação.
A sequência dos fatos — admissão da representação pelo Tribunal e exoneração da servidora dias depois — tende a ampliar a repercussão política do caso, especialmente porque envolve uma ex-candidata a prefeita, um presidente de Poder Legislativo, um secretário de Estado e um prefeito municipal.
Veja o documento com a representação no TCE-AM:
Representacao-do-TCE-contra-a-diretora-da-escola-do-legislativo-da-CMM
Veja o documento com a exoneração:
Exoneracao-da-diretora-da-escola-do-legislativo-da-cmm


